{"id":569,"date":"2023-05-03T12:25:14","date_gmt":"2023-05-03T15:25:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.globalcrossings.com.br\/?p=569"},"modified":"2023-05-03T13:02:33","modified_gmt":"2023-05-03T16:02:33","slug":"a-resolucao-n-58-2023-do-concea-e-o-fim-da-experimentacao-animal-para-cosmeticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.globalcrossings.com.br\/en\/2023\/05\/03\/a-resolucao-n-58-2023-do-concea-e-o-fim-da-experimentacao-animal-para-cosmeticos\/","title":{"rendered":"A RESOLU\u00c7\u00c3O N. 58\/2023 DO CONCEA E O FIM DA EXPERIMENTA\u00c7\u00c3O ANIMAL PARA COSM\u00c9TICOS"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Anna Caramuru<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No final de fevereiro de 2023, os animais tiveram uma vit\u00f3ria importante no Brasil: o Conselho Nacional de Controle de Experimenta\u00e7\u00e3o Animal (CONCEA), do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI), proibiu, por meio da resolu\u00e7\u00e3o n. 58\/2023, a utiliza\u00e7\u00e3o de animais em pesquisa, desenvolvimento e controle de cosm\u00e9ticos, produtos de higiene pessoal e perfumes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a normativa, portanto, animais vertebrados \u2013 que s\u00e3o comprovadamente sencientes, ou seja, capazes de experimentar dor e prazer de modo consciente, como peixes, anf\u00edbios, r\u00e9pteis, aves e mam\u00edferos \u2013 deixam de poder ser utilizados em pesquisas quando j\u00e1 haja comprova\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a e efic\u00e1cia dos ingredientes e compostos em quest\u00e3o. Havendo f\u00f3rmulas novas, contudo, a norma imp\u00f5e a utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos alterativos \u00e0 experimenta\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com isso, no mais, o Brasil passa a se alinhar \u00e0s normas da Uni\u00e3o Europeia, na qual vige a Teoria dos tr\u00eas R\u2019s de William Russell e Rex Burch (1959): \u201cReductions, Replacemente, e Refinement\u201d (Redu\u00e7\u00e3o, Substitui\u00e7\u00e3o e Refinamento):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O princ\u00edpio da redu\u00e7\u00e3o tem como corol\u00e1rio basilar que o recurso a animais para experimenta\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser levado a cabo quando n\u00e3o for poss\u00edvel outro m\u00e9todo cientificamente satisfat\u00f3rio que n\u00e3o implique a utiliza\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O princ\u00edpio do refinamento, por seu turno, visa a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de ensaios com animais e do n\u00famero de animais a\u00ed utilizados e, simultaneamente, assegurar um m\u00ednimo de dor, sofrimento e afli\u00e7\u00e3o dos animais utilizados durante a experimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O princ\u00edpio da substitui\u00e7\u00e3o, por \u00faltimo, visa a substitui\u00e7\u00e3o progressiva de experimenta\u00e7\u00f5es com animais por procedimentos de investiga\u00e7\u00e3o em que o recurso a animais seja m\u00ednimo ou, desejavelmente, nulo (FERREIRA; PEREIRA, 2019, p. 45)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m dos avan\u00e7os \u00e9ticos possibilitados pela resolu\u00e7\u00e3o n. 58\/2023, \u00e9 importante destacar que mesmo a credibilidade da experimenta\u00e7\u00e3o animal j\u00e1 vem sendo, no \u00e2mbito cient\u00edfico, questionada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Paula Br\u00fcgger (2008), por exemplo, afirma que j\u00e1 s\u00e3o diversos os cientistas que criticam a vivissec\u00e7\u00e3o (que \u00e9 a pr\u00e1tica de cortar um corpo vivo). Primeiro, porque existe, \u00e9 claro, um problema \u00e9tico em se sacrificar interesses e direitos de animais em detrimento de interesses e direitos de humanos, apenas porque pertencemos a esp\u00e9cies diferentes (SINGER, 2015; FRANCIONE, 2020). Contudo, existe, tamb\u00e9m, uma quest\u00e3o relevante que diz respeito \u00e0 falta da confiabilidade nos resultados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como exemplo, nos Estados Unidos, apenas 1% dos novos medicamentos testados em laborat\u00f3rios v\u00e3o para o est\u00e1gio cl\u00ednico, em que s\u00e3o, finalmente, testados em volunt\u00e1rios humanos e, ap\u00f3s, somente 5% deles s\u00e3o aprovados pela FDA (Food and Drug Administration). Outra pesquisa revelou que 51,5% das drogas aprovadas ofereciam riscos n\u00e3o previstos nos testes. A talidomida, por exemplo, foi aprovada e, nos testes realizados em animais, n\u00e3o apresentou problemas. Em mulheres humanas gr\u00e1vidas, contudo, os problemas causados aos fetos foram ser\u00edssimos (BR\u00dcGGER, 2018; BERNARD; KAUFMAN, 1997; GREEK; GREEK, 2000).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 AIDS, os modelos com animais trouxeram benef\u00edcios apenas para os primatas n\u00e3o humanos, ou seja, os pesquisadores que trabalham com primatas fizeram descobertas importantes para tratar de chimpanz\u00e9s, mas que eram inaplic\u00e1veis a seres humanos (GREEK; GREEK, 2000; BR\u00dcGGER, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 com rela\u00e7\u00e3o ao c\u00e2ncer, igualmente, nenhuma droga essencial para o tratamento da doen\u00e7a foi originada de modelos animais, de modo que os medicamentos desenvolvidos foram testados em animais t\u00e3o somente ap\u00f3s j\u00e1 haver pistas sobre suas possibilidades terap\u00eauticas com base em dados obtidos clinicamente. Isso se d\u00e1 porque, apesar de a cada ano milhares de animais sofrerem nas m\u00e3os de cientistas que induzem, neles, forma\u00e7\u00f5es cancerosas, tais forma\u00e7\u00f5es s\u00e3o totalmente distintas das formas de c\u00e2ncer humano que ocorrem naturalmente, uma vez que as c\u00e9lulas cancerosas n\u00e3o podem ser vistas desvinculadas do organismo que as produziu (GREEK; GREEK, 2000; BR\u00dcGGER, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que Br\u00fcgger afirma, portanto, \u00e9 que os animais n\u00e3o humanos, muito embora tenham, todos, origens comuns, inclusive conosco, s\u00e3o muito diferentes entre si e de n\u00f3s em aspectos relevantes \u2013 que envolvem fatores metab\u00f3licos, anat\u00f4micos, bioqu\u00edmicos, comportamentais etc. \u2013, e \u00e9 por isso que os resultados s\u00e3o falhos (BR\u00dcGGER, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Novamente, n\u00e3o podemos deixar de lado as implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas de causarmos sofrimentos a seres que sabemos serem capazes de experimentar, conscientemente, a dor, de modo que, ainda que o modelo animal da pesquisa cient\u00edfica se provasse eficaz \u2013 o que n\u00e3o \u00e9 o caso \u2013, n\u00e3o haveria justificativas para utiliz\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 existe um consenso cient\u00edfico no sentido de que animais humanos n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos que t\u00eam consci\u00eancia. Diversamente, como constatado na Declara\u00e7\u00e3o de Cambridge sobre a Consci\u00eancia Animal<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a> de 2012, \u201co estudo da neuroci\u00eancia evoluiu de tal modo que n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel excluir mam\u00edferos, aves e at\u00e9 polvos do grupo de seres vivos que possuem consci\u00eancia\u201d (HOHENDORFF; LAZZARETTI, 2022, p. 217). Deste modo, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que, na medida em que animais possuem senci\u00eancia, \u201cs\u00e3o, sem d\u00favida alguma, dotados de consci\u00eancia e capazes de sentir dor. Deste modo, n\u00e3o podem mais ser considerados apenas como coisas pelo direito\u201d (Idem, p. 207).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo nossa Constitui\u00e7\u00e3o Federal j\u00e1 reconhece a senci\u00eancia de animais n\u00e3o humanos e pro\u00edbe a crueldade contra eles, o que fica claro pela leitura do artigo 225, inciso VII, \u00a71\u00ba:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a7 1\u00ba Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder P\u00fablico: VII &#8211; proteger a fauna e a flora, <em>vedadas<\/em>, na forma da lei, as <em>pr\u00e1ticas<\/em> que coloquem em risco sua fun\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, provoquem a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ou <em>submetam os animais a<\/em><em>crueldade<\/em> (grifei)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Verifica-se, na norma acima transcrita, duas regras de proibi\u00e7\u00e3o, distintas entre si: (1) pr\u00e1ticas que coloquem em risco a fun\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica da fauna e da flora, e provoquem a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies; <em>ou<\/em> (2) submetam os animais, enquanto indiv\u00edduos, \u00e0 crueldade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em nosso ordenamento jur\u00eddico, portanto, a posi\u00e7\u00e3o de animais n\u00e3o humanos como sujeitos de direitos fundamentais j\u00e1 est\u00e1 garantida, uma vez que eles n\u00e3o s\u00e3o protegidos apenas como mera parte da fauna, mas sim, como seres em si mesmos, aptos a serem v\u00edtimas de crueldade, experimentando o sofrimento (ATA\u00cdDE JR., 2020). Com isso, eles devem ter n\u00e3o somente o direito de viver, como o direito de viver sem dor e crueldade (MEDEIROS; NETTO; PETTERLE, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 esse, de mais a mais, o posicionamento que vem sendo adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como se verifica na ADI 2.514 do Estado de Santa Catarina (2005), ADI n. 3.776-5 do Estado do Rio Grande do Norte (2007), ADI n. 1.856 do Estado do Rio de Janeiro (2011), o RE 153.531\/SC de 1998, e a famosa ADI da Vaquejada, de n. 4.983 de 2016, na qual n\u00e3o s\u00f3 a senci\u00eancia foi reconhecida, como a pr\u00f3pria dignidade animal, como se verifica pelo voto da Ministra Rosa Weber:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Constitui\u00e7\u00e3o, no seu artigo 225, \u00a7 1\u00ba, VII, acompanha o n\u00edvel de esclarecimento alcan\u00e7ado pela humanidade no sentido de supera\u00e7\u00e3o da limita\u00e7\u00e3o antropoc\u00eantrica que coloca o homem no centro de tudo e todo o resto como instrumento a seu servi\u00e7o, em prol do reconhecimento de que os <em>animais possuem uma dignidade pr\u00f3pria<\/em> que deve ser respeitada (destaquei).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por \u00faltimo, \u00e9 importante destacar que j\u00e1 existem alterativas \u00e0 experimenta\u00e7\u00e3o animal, mas \u00e9 preciso trabalhar para que outros modos de produzir e testar medicamentos e procedimentos m\u00e9dicos sejam cada vez mais eficazes e \u00e9ticos. <em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Refer\u00eancias<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ATAIDE JUNIOR, Vicente de Paula. A afirma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do Direito Animal no Brasil. <em>Revista Internacional de Direito Ambiental<\/em>. v. 8, n. 22, jan.-abr. 2019<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BERNARD, Neal; KAUFMAN, Stephen. Animal research is wasteful and misleading. <em>Scientific American, <\/em>1997.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BR\u00dcGGER, Paula. Vivissec\u00e7\u00e3o: f\u00e9 cega, faca amolada? <em>In<\/em>: MOLINARO, Carlos Alberto; MEDEIROS, Fernanda Luiza Fontoura de; SARLET, Ingo Wolfgang; FENSTERSEIFER, Tiago (orgs.). <em>A dignidade da vida e os direitos fundamentais para al\u00e9m dos humanos: <\/em>uma discuss\u00e3o necess\u00e1ria. Belo Horizonte: F\u00f3rum, 2008, p. 145-174.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FRANCIONE, G. L <em>Why Veganism Matters<\/em>: The Moral Value of Animals. New York: Columbia University Press, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GREEK, Ray C.; GREEK, Jean S. <em>Sacred cows and golden geese<\/em>: the human cost of experiments on animals. New York: Continuum, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HOHENDORFF, Raquel von; LAZZARETTI, Bianca. Breves considera\u00e7\u00f5es sobre direito e animais silvestres provenientes de centro de triagem de animais silvestres (CETAS) e mantidos sob cuidados humanos. <em>In: <\/em>BARBOSA-FOHRMANN, Ana Paula; LOUREN\u00c7O, Daniel Braga (Orgs.). AUBERT, Anna Caramuru Pessoa (Coord.). <em>Estudos e Direitos dos Animais<\/em>: teorias e desafios. Porto Alegre, RS: Editora Fi, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MEDEIROS, F. L. F, NETO, J. W &amp; PETTERLE, S. R. <em>Animais n\u00e3o-humanos e a veda\u00e7\u00e3o de crueldade<\/em>: o STF no rumo de uma jurisprud\u00eancia intercultural. Editora Unisalle, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PEREIRA, Andr\u00e9 Gon\u00e7alo Dias; FERREIRA, Ana Elisabete. Novo Estatuto Jur\u00eddico dos Animais em Portugal: Direito Civil e Experimenta\u00e7\u00e3o Animal. <em>Revista Brasileira de Direito Animal<\/em>, Salvador, v. 14, n. 1, p. 38-53, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RUSSELL, W. M. S., BURCH R. <em>The Principles of Humane Experimental Technique<\/em>. London, UK: Methuen, 1959.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SINGER, Peter. <em>Animal Liberation<\/em>. Fortieth Anniversary Edition. New York: Open Road Integrated Media, 2015.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Cf. https:\/\/labea.ufpr.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Declara%C3%A7%C3%A3o-de-Cambridge-sobre-Consci%C3%AAncia-Animal.pdf.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Anna Caramuru No final de fevereiro de 2023, os animais tiveram uma vit\u00f3ria importante no Brasil: o Conselho Nacional de Controle de Experimenta\u00e7\u00e3o Animal (CONCEA), do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI), proibiu, por meio da resolu\u00e7\u00e3o n. 58\/2023, a utiliza\u00e7\u00e3o de animais em pesquisa, desenvolvimento e controle de cosm\u00e9ticos, produtos de higiene [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":570,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,12],"tags":[9],"class_list":["post-569","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-newsletter","category-ptbr-newsletter","tag-portugues"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.globalcrossings.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/569","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.globalcrossings.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.globalcrossings.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.globalcrossings.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.globalcrossings.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=569"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.globalcrossings.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/569\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":572,"href":"https:\/\/www.globalcrossings.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/569\/revisions\/572"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.globalcrossings.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/570"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.globalcrossings.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.globalcrossings.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.globalcrossings.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}