{"id":558,"date":"2023-05-03T12:11:58","date_gmt":"2023-05-03T15:11:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.globalcrossings.com.br\/?p=558"},"modified":"2023-05-03T12:52:47","modified_gmt":"2023-05-03T15:52:47","slug":"newsletter-abril-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.globalcrossings.com.br\/en\/2023\/05\/03\/newsletter-abril-2023\/","title":{"rendered":"Newsletter - April\/2023"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PROJETO CLOBAL CROSSINGS<\/strong><br><strong>PROFA. CLAUDIA LOUREIRO<\/strong><br><strong>C\u00c1TEDRA JEAN MONNET\/UFU<\/strong><br><strong>NEWSLETTER<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><u>SE\u00c7\u00c3O 1:<\/u><\/strong><strong> <\/strong><strong>PRINCIPAIS JULGAMENTOS DO TRIBUNAL DE JUSTI\u00c7A DA UNI\u00c3O EUROPEIA<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\">\n<li><strong>Caso Costeja Gonzalez sobre direito ao esquecimento<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Texto de Jo\u00e3o L\u00e1zaro Machado de Assis Matos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Tribunal de Justi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia julgou em 2014 um caso sobre o direito ao esquecimento. Trata-se de um pedido de decis\u00e3o prejudicial (<em>preliminary ruling<\/em>) em um lit\u00edgio da gigante das buscas Google contra a Ag\u00eancia Espanhola de Prote\u00e7\u00e3o de Dados e o espanhol Mario Costeja Gonz\u00e1lez, em virtude de um recurso de uma pr\u00e9via decis\u00e3o favor\u00e1vel a Costeja Gonz\u00e1lez. No processo anterior, uma reclama\u00e7\u00e3o de Costeja Gonz\u00e1lez apresentada em 2010 naquela Ag\u00eancia contra a Google e um jornal local, a Ag\u00eancia Espanhola de Prote\u00e7\u00e3o de Dados ordenou que a Google adotasse as medidas necess\u00e1rias para retirar os dados pessoais de Costeja Gonz\u00e1lez de seu \u00edndice e impossibilitar o futuro acesso a tais dados. Os detalhes das informa\u00e7\u00f5es \u00e0s quais se pretendia impedir o acesso pela internet foram intencionalmente omitidos neste <em>newsletter<\/em> em respeito \u00e0 vontade original de Costeja Gonz\u00e1lez. A Google apelou \u00e0 Audi\u00eancia Nacional espanhola, que entendeu ser necess\u00e1rio acionar o Tribunal de Justi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia para a interpreta\u00e7\u00e3o de normas da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como apontado por Niilo J\u00e4\u00e4skinen (2013), \u00e0 \u00e9poca Advogado-Geral do Tribunal de Justi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia, foram tr\u00eas os principais grupos de quest\u00f5es levadas \u00e0 Corte nesse caso, o processo C-131\/12, todas quest\u00f5es novas: o primeiro grupo trata do <em>\u00e2mbito de aplica\u00e7\u00e3o territorial<\/em> das normas europeias de prote\u00e7\u00e3o de dados; o segundo, da posi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de prestador de servi\u00e7o de motor de pesquisa na internet, especialmente em rela\u00e7\u00e3o ao <em>\u00e2mbito de aplica\u00e7\u00e3o material<\/em> da Diretiva de Prote\u00e7\u00e3o de Dados (Diretiva 95\/46\/CE do Parlamento Europeu e do Conselho); o terceiro, do <em>direito de ser esquecido<\/em> e se pessoas podem exigir a inacessibilidade de parte de ou todos os resultados de pesquisas que lhes digam respeito por meio de motores de pesquisa. As nove quest\u00f5es est\u00e3o transcritas no item n.\u00ba 20 do ac\u00f3rd\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Tribunal de Justi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia (2014, n.<sup>os <\/sup>28, 33, 38, 41, 60, 88, disp. 1-3) decidiu sobre os dois primeiros grupos de quest\u00f5es: as opera\u00e7\u00f5es dos motores de pesquisa com informa\u00e7\u00f5es que contenham dados pessoais configuram tratamento de dados nos termos legais, independente de o motor distinguir ou n\u00e3o os dados pessoais de outras informa\u00e7\u00f5es, e os motores s\u00e3o tamb\u00e9m respons\u00e1veis pelo tratamento; ocorre tratamento de dados no territ\u00f3rio de um Estado-Membro quando o operador do motor cria no pa\u00eds sucursal ou filial com fins publicit\u00e1rios ou comerciais e com atividade, dirigida aos habitantes deste pa\u00eds, e, ainda, o operador de um motor de busca \u00e9 obrigado, quando for o caso, a suprimir da lista de resultados os <em>links<\/em> a p\u00e1ginas que contenham informa\u00e7\u00f5es sobre uma pessoa quando se faz uma pesquisa a partir do nome desta, mesmo que os dados continuem nas p\u00e1ginas e mesmo quando tais publica\u00e7\u00f5es sejam l\u00edcitas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o direito ao esquecimento no \u00e2mbito de pesquisas indexadas por motores de busca na internet, este Tribunal (2014, n.<sup>os<\/sup> 96-99, disp. 4) declara que, primeiro, \u00e9 preciso um ju\u00edzo em cada caso concreto sobre a pessoa em causa ter o direito de exigir que certas informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam associadas a seu nome em pesquisas, levando em considera\u00e7\u00f5es a exist\u00eancia ou n\u00e3o de raz\u00f5es especiais, como o papel na vida p\u00fablica e eventual interesse p\u00fablico preponderante em acessar informa\u00e7\u00f5es sobre a vida da pessoa. N\u00e3o sendo o caso de interesse preponderante do p\u00fablico, considerando os direitos fundamentais nos termos dos artigos 7\u00ba e 8\u00ba da Carta dos Direitos Fundamentais da Uni\u00e3o Europeia [respeito \u00e0 vida privada e direito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos dados pessoais], a pessoa em causa pode exigir que a informa\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o deixe de estar acess\u00edvel por meio da lista de resultados de pesquisas, sem presun\u00e7\u00e3o de dano causado em virtude dessa inclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As defini\u00e7\u00f5es do Tribunal de Justi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia acerca do direito ao esquecimento significam importante marco na constru\u00e7\u00e3o deste direito, n\u00e3o s\u00f3 na Uni\u00e3o Europeia, mas por todo o globo, como precedente de grande relev\u00e2ncia e s\u00f3lida fundamenta\u00e7\u00e3o. Embora n\u00e3o tenha sido constitu\u00eddo um direito ao esquecimento propriamente dito, mas um direito \u00e0 supress\u00e3o de dados de figuras n\u00e3o-p\u00fablicas, a decis\u00e3o ressalta o valor de direitos fundamentais individuais e sua preval\u00eancia sobre interesses econ\u00f4micos e sobre o interesse do p\u00fablico em acessar dados de pessoas comuns.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00c4\u00c4SKINEN, Niilo. Processo C-131\/12. <strong>Conclus\u00f5es do Advogado-Geral Niilo J\u00e4\u00e4skinen<\/strong>. Luxemburgo: InfoCuria, 2013. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/curia.europa.eu\/juris\/document\/document.jsf?text=&amp;docid=138782&amp;pageIndex=0&amp;doclang=PT&amp;mode=req&amp;dir=&amp;occ=first&amp;part=1&amp;cid=2167984\">https:\/\/curia.europa.eu\/juris\/document\/document.jsf?text=&amp;docid=138782&amp;pageIndex=0&amp;doclang=PT&amp;mode=req&amp;dir=&amp;occ=first&amp;part=1&amp;cid=2167984<\/a>&gt;. Acesso em: 10 abr. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">UNI\u00c3O EUROPEIA. Tribunal de Justi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia (Plen\u00e1rio). Processo C-131\/12. <strong>Google Spain SL e Google Inc. contra Agencia Espa\u00f1ola de Protecci\u00f3n de Datos (AEPD) e Mario Costeja Gonz\u00e1lez<\/strong>. Luxemburgo: InfoCuria, 2014. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/curia.europa.eu\/juris\/document\/document.jsf;jsessionid=BCE3BA82E2232EF68948C5\">https:\/\/curia.europa.eu\/juris\/document\/document.jsf;jsessionid=BCE3BA82E2232EF68948C5<\/a><a href=\"https:\/\/curia.europa.eu\/juris\/document\/document.jsf;jsessionid=BCE3BA82E2232EF68948C590E931B6CC?text=&amp;docid=152065&amp;pageIndex=0&amp;doclang=PT&amp;mode=lst&amp;dir=&amp;occ=first&amp;part=1&amp;cid=2167984\">90E931B6CC?text=&amp;docid=152065&amp;pageIndex=0&amp;doclang=PT&amp;mode=lst&amp;dir=&amp;occ=first&amp;part=1&amp;cid=2167984<\/a>&gt;. Acesso em: 10 abr. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><u>SE\u00c7\u00c3O 2:<\/u><\/strong><strong> CORTE EUROPEIA DE DIREITOS HUMANOS \u2013 PRINCIPAIS JULGADOS&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\">\n<li><strong>Casos sobre V\u00e9u Isl\u00e2mico da Corte Europeia de Direitos Humanos<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Texto de Claudia Regina de Oliveira Magalh\u00e3es da Silva Loureiro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Corte Europeia de Direitos Humanos, que julgou alguns casos relativos ao tema do uso do v\u00e9u isl\u00e2mico, consolidando os seguintes argumentos, seguran\u00e7a p\u00fablica, ordem p\u00fablica, interesse da coletividade e seculariza\u00e7\u00e3o do Estado, julgando que os casos n\u00e3o apresentavam ofensas ao artigo 9\u00ba da Conven\u00e7\u00e3o Europeia de Direitos Humanos, que se refere ao direito \u00e0 liberdade religiosa e que restringe as inger\u00eancias dos Estados nesses direitos a situa\u00e7\u00f5es extremamente necess\u00e1rias e excepcionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os casos foram antecedidos pela aprova\u00e7\u00e3o das Leis n\u00ba 2004-228 <a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a> e 2010-1192 <a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, que diziam respeito, respectivamente, \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o do uso do v\u00e9u e de qualquer outra vestimenta religiosa nas escolas p\u00fablicas francesas e sobre a proibi\u00e7\u00e3o de se usar v\u00e9us integrais, como burca ou niqab. Como foi mencionado, a promulga\u00e7\u00e3o de referidas leis na Fran\u00e7a gerou uma demanda de casos perante a Corte Europeia de Direitos Humanos que confirmou, de forma reiterada, que as medidas legislativas ora mencionadas n\u00e3o feriam os direitos fundamentais dos cidad\u00e3os, mas, ao contr\u00e1rio, protegiam os interesses da coletividade e a ideia de seculariza\u00e7\u00e3o do estado franc\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para efeito desse estudo, vale ressaltar os seguintes precedentes da Corte Europeia de Direitos Humanos: Caso El Morsli v. Fran\u00e7a <a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, Caso Dogru v. Fran\u00e7a <a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, Caso Kervanci v. Fran\u00e7a <a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, Caso Aktas v. Fran\u00e7a, Caso Bayrak v. Fran\u00e7a, Caso Gamaleddyn v. Fran\u00e7a, Caso Ghazal v. Fran\u00e7a <a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a> e Caso S.A.S. v. Fran\u00e7a <a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considera-se salutar uma an\u00e1lise sucinta dos casos com o objetivo de demonstrar o posicionamento da Corte Europeia sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro caso, El Morsli v. Fran\u00e7a, de 2008, diz respeito \u00e0 mu\u00e7ulmana que se negou a retirar o v\u00e9u perante o oficial consular homem, tendo o seu visto de entrada na Fran\u00e7a negado. \u00c9 importante esclarecer que a mu\u00e7ulmana n\u00e3o se negou a cumprir com a lei do reconhecimento e identifica\u00e7\u00e3o e solicitou ser atendida por uma oficial mulher. Sob a alega\u00e7\u00e3o da falta de uma funcion\u00e1ria, o oficial negou o visto \u00e0 mu\u00e7ulmana, que recorreu \u00e0 Corte Europeia de Direitos Humanos, alegando ofensa ao artigo 9\u00ba, \u00a7 2\u00ba da Conven\u00e7\u00e3o Europeia de Direitos Humanos <a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. A Corte entendeu que o caso deveria ficar restrito ao contexto da margem de aprecia\u00e7\u00e3o do estado franc\u00eas, uma vez que n\u00e3o tinha vislumbrado ofensa ao dispositivo legal mencionado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De outra feita, o Caso Dogru v. Fran\u00e7a e o Caso Kervanci v. Fran\u00e7a, de 2008, tamb\u00e9m refletem a postura contr\u00e1ria ao respeito ao multiculturalismo por parte da Fran\u00e7a. No caso, duas francesas, praticantes da f\u00e9 mu\u00e7ulmana e estudantes de escolas p\u00fablicas francesas, se negaram a atender ao pedido do Professor de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica para retirarem o v\u00e9u, considerando-se a incompatibilidade da vestimenta com as aulas em apre\u00e7o. As alunas foram expulsas da escola, sob a alega\u00e7\u00e3o de falta de assiduidade e, nos tribunais franceses, a postura da escola foi considerada correta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso foi levado \u00e0 Corte Europeia de Direitos Humanos e a decis\u00e3o n\u00e3o foi diferente dos casos anteriormente citados, ou seja, a Corte entendeu que n\u00e3o houve ofensa ao artigo 9\u00ba da Conven\u00e7\u00e3o Europeia de Direitos Humanos, que deveria prevalecer o secularismo nas escolas p\u00fablicas francesas e que a expuls\u00e3o n\u00e3o era medida desproporcional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os casos Aktas, Bayrak, Gamaleddyn e Ghazal v. Fran\u00e7a tamb\u00e9m refletem o mesmo entendimento consignado anteriormente pela Corte Europeia diante da expuls\u00e3o de estudantes mu\u00e7ulmanas de escolas p\u00fablicas francesas que se negaram a atender ao pedido da dire\u00e7\u00e3o da escola para retirarem os v\u00e9us. O Tribunal rejeitou todas as a\u00e7\u00f5es sob a alega\u00e7\u00e3o de respeito \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica, ordem p\u00fablica e interesses da coletividade, afirmando que referida postura n\u00e3o representava uma obje\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9 professada pelas alunas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, no caso mais recente, S.A.S. v. Fran\u00e7a, que foi levado \u00e0 Corte Europeia para questionar a lei francesa que pro\u00edbe o uso de vestimentas que cubram o rosto, a Corte reiterou o mesmo entendimento manifestado nos casos anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como foi poss\u00edvel perceber, a postura da Corte Europeia de Direitos Humanos refletiu a ideia de que existe uma cultura dominante, que decide aceitar ou n\u00e3o a diversidade cultural (SOUSA SANTOS, 2009), o que n\u00e3o reflete o p\u00f3s-multiculturalismo, que preconiza a aceita\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as e a conviv\u00eancia harm\u00f4nica entre culturas diversas, sem corroborar comportamentos inaceit\u00e1veis como a mutila\u00e7\u00e3o genital feminina ou o casamento for\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><u>SE\u00c7\u00c3O 3:<\/u><\/strong> <strong>CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TRANSHUMANIDADE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>1. An\u00e1lise do Caso Artavia Murillo e outros versus Costa Rica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Texto de I<\/em><em>zabella Vieira Nunes<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1995, a Costa Rica, por meio do Decreto Executivo n\u00ba 24029-S, autorizou a pr\u00e1tica de t\u00e9cnicas de reprodu\u00e7\u00e3o humana assistida, com destaque \u00e0 fertiliza\u00e7\u00e3o <em>in vitro <\/em>(FIV), al\u00e9m de regulamentar sua pr\u00e1tica. No entanto, no mesmo ano, o senhor Hermes Navarro Del Valle interp\u00f4s a\u00e7\u00e3o em que questionou a constitucionalidade do referido decreto, fundamentando-a em supostas viola\u00e7\u00f5es do direito \u00e0 vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O autor buscava a declara\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade do decreto indicado e das pr\u00e1ticas de FIV no territ\u00f3rio costarriquenho. Como argumento, suscitou que o m\u00e9todo acarretava porcentagens extremas de malforma\u00e7\u00e3o fetal. Para o autor, a autoriza\u00e7\u00e3o dessas t\u00e9cnicas atuaria como pretexto para a elimina\u00e7\u00e3o de embri\u00f5es n\u00e3o utilizados, o que viola o direito \u00e0 vida, a qual teria in\u00edcio a partir da fecunda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em julgamento, no ano de 2000, a Sala Constitucional da Corte Suprema da Costa Rica declarou procedente a a\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentre os votos dissidentes, os magistrados, Arguedas Ram\u00edrez e Miranda, argumentaram quanto \u00e0 compatibilidade da FIV ao sistema jur\u00eddico nacional, por se tratar de instrumento v\u00e1lido para o pleno exerc\u00edcio do direito \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o, proveniente da liberdade, autodetermina\u00e7\u00e3o, intimidade pessoal e direito de constituir fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Tribunal costarriquenho argumentou que as pr\u00e1ticas decorrentes de fertiliza\u00e7\u00e3o <em>in vitro <\/em>colocam em risco a vida do embri\u00e3o, o que acarreta viola\u00e7\u00e3o ao direito \u00e0 vida e \u00e0 dignidade da pessoa humana, al\u00e9m de destacar os riscos de sele\u00e7\u00e3o eugenista. Deste modo, o Decreto Executivo n\u00ba 24029-S foi anulado, pois afrontava o princ\u00edpio da reserva legal diante do conte\u00fado do texto normativo, inclusive, refor\u00e7ando a teoria da concep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o tribunal, n\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00e3o entre as fases de desenvolvimento humano, por consequ\u00eancia, o direito \u00e0 vida deve ser tutelado desde o princ\u00edpio, considerando como ato atentat\u00f3rio \u00e0 dignidade da pessoa humana as t\u00e9cnicas de fertiliza\u00e7\u00e3o <em>in vitro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentre as v\u00edtimas das condutas costarriquenhas, destaca-se a Senhora Grettel Artavia Murillo e o Senhor Miguel Mej\u00edas Carballo, os quais buscaram a FIV com o intuito de concretizar o planejamento familiar, ap\u00f3s acidente do senhor Mej\u00edas, que resultou em paraplegia. O casal viu-se impedido de efetivar seu direito, pois, al\u00e9m das proibi\u00e7\u00f5es nacionais, n\u00e3o havia recursos financeiros suficientes para realizar as t\u00e9cnicas de RHA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) foi acionada em 2001, por meio de peti\u00e7\u00e3o, e, em 2004, aprovou o Relat\u00f3rio de M\u00e9rito n\u00ba 85\/10, com a finalidade de averiguar se a proibi\u00e7\u00e3o proferida pela Corte costarriquenha seria uma inger\u00eancia arbitr\u00e1ria ou n\u00e3o aos direitos \u00e0 vida privada, ao planejamento familiar e \u00e0 igualdade. No exerc\u00edcio de seu papel institucional, a Comiss\u00e3o emitiu recomenda\u00e7\u00f5es ao Estado para reverter a decis\u00e3o proferida, a qual foi considerada arbitr\u00e1ria. Com as negativas do Estado, em 2011, a Comiss\u00e3o submeteu a situa\u00e7\u00e3o \u00e0 an\u00e1lise da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CtIDH), por meio do caso n\u00ba 12.361, solicitando a responsabiliza\u00e7\u00e3o internacional da Costa Rica por viola\u00e7\u00e3o aos direitos previstos nos artigos 1.1, 2, 11.2, 17.2 e 24, da Conven\u00e7\u00e3o Americana de Direitos Humanos (CADH).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em resposta, a Costa Rica apresentou projetos de lei para regulamentar a reprodu\u00e7\u00e3o humana assistida, os quais n\u00e3o alcan\u00e7aram o resultado almejado, sobretudo, em raz\u00e3o do dispositivo que determinava a implementa\u00e7\u00e3o for\u00e7ada dos embri\u00f5es na mulher que optasse por estas t\u00e9cnicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao analisar a conjuntura retratada, a CtIDH afirmou que as t\u00e9cnicas de RHA compreendem m\u00e9todos de manipula\u00e7\u00e3o de materiais gen\u00e9ticos para a procria\u00e7\u00e3o humana, de modo que a FIV manipula-os em laborat\u00f3rio, por consequ\u00eancia, os embri\u00f5es gerados poder\u00e3o ser implantados no \u00fatero materno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A CtIDH concluiu que as condutas do Estado da Costa Rica violaram os artigos 5.1 <a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>, 7 <a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>, 11.2 <a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> e 17.2 <a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> em rela\u00e7\u00e3o ao artigo 1.1 <a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>, al\u00e9m do art. 4.1, todos da Conven\u00e7\u00e3o Americana de Direitos Humanos. Na oportunidade, arrolou repara\u00e7\u00f5es a serem feitas pelo Estado, al\u00e9m de sua responsabiliza\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a Corte, prevaleceu o argumento de que, mesmo diante de dissensos existentes quanto \u00e0 tem\u00e1tica, seja no campo moral, \u00e9tico ou cient\u00edfico, o in\u00edcio da vida deve considerar a capacidade plena de desenvolvimento do embri\u00e3o, cujo marco inicial \u00e9 a concep\u00e7\u00e3o <a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> e consequente implanta\u00e7\u00e3o do embri\u00e3o no \u00fatero materno como crit\u00e9rio essencial. Al\u00e9m disso, houve significativa argumenta\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 desproporcional restri\u00e7\u00e3o desproporcional aos direitos \u00e0 liberdade e autodetermina\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. CtIDH. <em>Caso n\u00ba 12.361<\/em>. <strong>Artavia Murillo e outros vs. Costa Rica<\/strong>, 2012. Dispon\u00edvel em https<a href=\"http:\/\/www.corteidh.or.cr\/docs\/casos\/articulos\/seriec_257_por.pdf\">:\/\/w<\/a>ww<a href=\"http:\/\/www.corteidh.or.cr\/docs\/casos\/articulos\/seriec_257_por.pdf\">.c<\/a>o<a href=\"http:\/\/www.corteidh.or.cr\/docs\/casos\/articulos\/seriec_257_por.pdf\">rteidh.or.cr\/docs\/casos\/articulos\/seriec_257_por.pdf.<\/a> Acesso em: 5 abr. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LOUREIRO, C. R. O. M. S.; NUNES, I. V. O direito \u00e0 vida e as pesquisas com c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias \u00e0 luz dos direitos humanos. Congresso Brasileiro de Direito Internacional (20:2021) Anais do XIX Congresso Brasilero de Direito Internacional. <em>In: Direito internacional em expans\u00e3o<\/em>: volume 20 \/ [org.] Wagner Menezes. Belo Horizonte: Arraes Editores, 2021. cap. 9, p. 134-154.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ORGANIZA\u00c7\u00c3O DOS ESTADOS AMERICANOS. <em>Conven\u00e7\u00e3o Americana de Direitos Humanos<\/em>(CADH &#8211; \u201cPacto San Jose da Costa Rica\u201d), 1969. Dispon\u00edvel em https:\/\/<a href=\"http:\/\/www.cidh.oas.org\/basicos\/portugues\/c.convencao_americana.htm\">www.cidh.oas.org\/basicos\/portugues\/c.convencao_americana.htm.<\/a> Acesso em: 5 abr. 2023.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Caso Fam\u00edlia Pacheco Tineo vs Estado Plurinacional da Bol\u00edvia<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>na Corte Interamericana de Direitos Humanos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Texto de Andressa Pimenta<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso da fam\u00edlia Pacheco Tineo vs Estado Plurinacional da Bol\u00edvia analisado na Corte Interamericana de Direitos Humanos \u00e9 considerado um dos principais exemplos de viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos no que se refere ao direito dos refugiados. Fazendo um breve resgate sobre o contexto do caso, vale lembrar que a fam\u00edlia Pacheco Tineo, de nacionalidade peruana, fugiu para a Bol\u00edvia em busca de prote\u00e7\u00e3o e asilo pol\u00edtico em meio a um contexto de viol\u00eancia e persegui\u00e7\u00e3o no Peru.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se considerarmos o contexto hist\u00f3rico peruano, em meados da d\u00e9cada de 90, o pa\u00eds passava por um per\u00edodo marcado pela viol\u00eancia e persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Ainda devido \u00e0s consequ\u00eancias e amarras do per\u00edodo ditatorial no Peru, os conflitos nos anos finais do s\u00e9culo XX refletiam graves viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos, como assassinatos, desaparecimentos for\u00e7ados, tortura e outras formas de viol\u00eancia. No seguinte caso apresentado, Rumaldo Pacheco e Fredesvinda Tineo foram acusados, sem provas, pelo governo peruano por supostos crimes de terrorismo no in\u00edcio de 1990.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, a fam\u00edlia Pacheco Tineo alegava que era alvo de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica por parte das autoridades do pa\u00eds, acabaram sendo detidos no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90. Ap\u00f3s a absolvi\u00e7\u00e3o do casal, a fam\u00edlia decidiu buscar prote\u00e7\u00e3o na Bol\u00edvia, pa\u00eds em que esperavam ser um lugar mais seguro para seus filhos (Juana Guadalupe, Frida Edith e Juan Ricardo Pacheco Tineo), tendo ainda, o reconhecimento da Comiss\u00e3o Nacional de Refugiados, como refugiados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, em dezembro do ano de 2001, a pol\u00edcia boliviana deteve a fam\u00edlia Pacheco Tineo sem qualquer justificativa legal, e os deportou de volta para o territ\u00f3rio peruano. A deporta\u00e7\u00e3o acabou sendo feita sem que a fam\u00edlia pudesse exercer o direito de solicitar ref\u00fagio ou de se submeter a um procedimento legal que garantisse a prote\u00e7\u00e3o aos seus direitos. Ap\u00f3s a deporta\u00e7\u00e3o, a fam\u00edlia ficou submetida, novamente, a um ambiente de viol\u00eancia e persegui\u00e7\u00e3o no Peru, onde seus direitos acabaram sendo violados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se analisarmos a den\u00fancia apresentada na Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos, ap\u00f3s a deporta\u00e7\u00e3o para o Peru, a fam\u00edlia ainda foi alvo de graves viola\u00e7\u00f5es. De acordo com os fatos apresentados, al\u00e9m de continuarem sendo alvos de persegui\u00e7\u00e3o, a fam\u00edlia foi amea\u00e7ada, interrogada e teve sua casa revistada pelas autoridades sem nenhum tipo de mandado judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ano de 2002, Rumaldo Pacheco e Fredesvinda Tineo apresentaram a den\u00fancia contra o Estado boliviano na Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos, uma vez que o pa\u00eds violou direitos previstos na Conven\u00e7\u00e3o Americana e Direitos Humanos (CADH), como o direito de solicitar e receber asilo, direito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o judicial, direito \u00e0 liberdade pessoal no que tange a circula\u00e7\u00e3o e resid\u00eancia, al\u00e9m do direito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as. No ano de 2006, a Comiss\u00e3o acabou apresentando o caso \u00e0 Corte Interamericana de Direitos Humanos, que ficaria respons\u00e1vel por julgar o seguinte caso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em novembro de 2013, a Corte acabou emitindo sua senten\u00e7a no caso Pacheco Tineo vs Estado Plurinacional da Bol\u00edvia, na qual determinou que a Bol\u00edvia tinha violado, de fato, os direitos da fam\u00edlia Pacheco Tineo ao deport\u00e1-los de volta para o Peru sem conceder uma prote\u00e7\u00e3o m\u00ednima \u00e0 fam\u00edlia. A Corte tamb\u00e9m determinou que a Bol\u00edvia violou outros direitos previstos na CADH, como o direito \u00e0 integridade pessoal e o direito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por consequ\u00eancia, a Corte Interamericana de Direitos Humanos estabeleceu que a Bol\u00edvia se reparasse com as v\u00edtimas pelos atos cometidos, al\u00e9m do pa\u00eds ter que adotar medidas para garantir que casos semelhantes n\u00e3o acontecessem novamente. Na senten\u00e7a, a Corte ordenou ao Estado boliviano que adotasse diversas medidas para reparar os direitos humanos da fam\u00edlia, dentre eles: a realiza\u00e7\u00e3o de uma investiga\u00e7\u00e3o imparcial sobre os fatos; a puni\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis \u200b\u200bpelas presta\u00e7\u00f5es; a concess\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o financeira \u00e0 fam\u00edlia e por fim, a ado\u00e7\u00e3o de medidas para garantir que o caso n\u00e3o se repetisse em um futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COSMOPOLITA. A separa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as migrantes e a reuni\u00e3o familiar no sistema interamericano de direitos humanos. Cosmopolita, 2021. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.cosmopolita.org\/post\/a-separa%C3%A7%C3%A3o-de-crian%C3%A7as-migrantes-ea-reuni%C3%A3o-familiar -no-sistema-interamericano-de-direitos-humanos &gt;. Acesso em: 8 abr. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COMISS\u00c3O INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. Admissibilidade e m\u00e9rito. Caso 12.363, Pacheco Tineo e outros (Bol\u00edvia). Washington, DC: Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos, 2011. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.cidh.oas.org\/annualrep\/2004eng\/Bolivia.301.02eng.htm&gt;. Acesso em: 9 abr. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. Caso Pacheco Tineo e outros vs. Bol\u00edvia. Senten\u00e7a de 25 de julho de 2018. San Jos\u00e9: Corte Interamericana de Direitos Humanos, 2018. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.corteidh.or.cr\/docs\/casos\/articulos\/seriec_272_ing.pdf\">https:\/\/www.corteidh.or.cr\/docs\/casos\/articulos\/seriec_272_ing.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 8 abr. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><u>SE\u00c7\u00c3O 4:<\/u><\/strong><strong> <\/strong><strong>NOT\u00cdCIAS DA UNI\u00c3O EUROPEIA <\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\">\n<li><strong>Institui\u00e7\u00f5es e \u00f3rg\u00e3os da Uni\u00e3o Europeia: estrutura e funcionamento<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Texto e tradu\u00e7\u00e3o de<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Guilherme Rodrigues da Silva<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Uni\u00e3o Europeia \u00e9 composta atualmente por vinte e sete pa\u00edses da Europa. Inicialmente, o pequeno bloco era composto pelos seguintes pa\u00edses: Alemanha, B\u00e9lgica, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Luxemburgo e Pa\u00edses Baixos. O Reino Unido decidiu sair da Uni\u00e3o Europeia em junho de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O poder legislativo, executivo, bem como o sistema judicial independente e o banco central comp\u00f5em a Uni\u00e3o Europeia. Estes s\u00e3o apoiados e complementados por diversas outras institui\u00e7\u00f5es e \u00f3rg\u00e3os com atribui\u00e7\u00f5es estabelecidas em tratados fundadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o passar dos anos e a partir da elabora\u00e7\u00e3o de tratados, os poderes da Uni\u00e3o Europeia aumentaram significativamente, bem como os processos de tomada de decis\u00e3o. O Parlamento Europeu e o Conselho tamb\u00e9m analisam temas ligados \u00e0 pol\u00edtica da Uni\u00e3o Europeia. Para alcan\u00e7ar os seus objetivos, a Uni\u00e3o possui, ainda, um or\u00e7amento pr\u00f3prio. Conforme o Tratado de Lisboa, o Parlamento e o Conselho possuem a prerrogativa de decidirem em igualdade de condi\u00e7\u00f5es sobre a totalidade do or\u00e7amento da Uni\u00e3o Europeia e o quadro financeiro plurianual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a>Assim, as principais institui\u00e7\u00f5es e \u00f3rg\u00e3os que estruturam a Uni\u00e3o Europeia, respons\u00e1veis por seu funcionamento s\u00e3o: (I) o Parlamento Europeu<\/a><a href=\"#_edn1\" id=\"_ednref1\">[i]<\/a>; (II) o Conselho Europeu<a href=\"#_edn2\" id=\"_ednref2\">[ii]<\/a>; (III) o Conselho da Uni\u00e3o Europeia<a href=\"#_edn3\" id=\"_ednref3\">[iii]<\/a>; (IV) a Comiss\u00e3o Europeia<a href=\"#_edn4\" id=\"_ednref4\">[iv]<\/a>; (V) o Tribunal de Justi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia<a href=\"#_edn5\" id=\"_ednref5\">[v]<\/a>; (VI) o Banco Central Europeu<a href=\"#_edn6\" id=\"_ednref6\">[vi]<\/a>; (VII) o Tribunal de Contas<a href=\"#_edn7\" id=\"_ednref7\">[vii]<\/a>; (VIII) o Comit\u00ea Econ\u00f4mico e Social Europeu<a href=\"#_edn8\" id=\"_ednref8\">[viii]<\/a>; (IX) o Comit\u00ea das Regi\u00f5es<a href=\"#_edn9\" id=\"_ednref9\">[ix]<\/a>; (X) o Banco Europeu de Investimento<a href=\"#_edn10\" id=\"_ednref10\">[x]<\/a>; e, (XI) o Provedor de Justi\u00e7a Europeu<a href=\"#_edn11\" id=\"_ednref11\">[xi]<\/a>.<a href=\"#_msocom_1\">[GS1]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a>O Parlamento<\/a><a href=\"#_edn12\" id=\"_ednref12\">[xii]<\/a> desempenha papel institucional na elabora\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas europeias atrav\u00e9s do exerc\u00edcio de suas v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es. A participa\u00e7\u00e3o do Parlamento no processo legislativo, as suas compet\u00eancias or\u00e7amentais e de controle, a sua participa\u00e7\u00e3o na revis\u00e3o dos Tratados e o seu direito de intervir nos processos submetidos ao Tribunal de Justi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia permitem a esse \u00f3rg\u00e3o assegurar o respeito pelos princ\u00edpios democr\u00e1ticos a n\u00edvel europeu.<a href=\"#_msocom_2\">[GS2]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Conselho Europeu<a href=\"#_edn13\" id=\"_ednref13\">[xiii]<\/a> \u00e9 composto pelos chefes de Estado ou de Governo dos Estados-Membros. \u00c9 respons\u00e1vel por impulsionar o desenvolvimento da Uni\u00e3o Europeia e definir as orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas gerais. A Presid\u00eancia da Comiss\u00e3o \u00e9 ainda membro do Conselho Europeu, embora, sem direito ao voto. O Presidente do Parlamento, no in\u00edcio de suas reuni\u00f5es dirige-se ao Conselho Europeu. Nos termos do Tratado de Lisboa, o Conselho Europeu \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o dotada de uma presid\u00eancia a longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a>O Conselho da Uni\u00e3o Europeia<\/a><a href=\"#_edn14\" id=\"_ednref14\">[xiv]<\/a> \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o que aprova a legisla\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o atrav\u00e9s de regulamentos e diretivas, bem como elabora decis\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es n\u00e3o vinculativas, sempre junto ao Parlamento Europeu. Em suas \u00e1reas de compet\u00eancia, o Conselho toma decis\u00f5es \u2013 devendo deliberar por maioria simples, maioria qualificada ou unanimidade \u2013 de acordo com a base jur\u00eddica do ato que requer a sua aprova\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_msocom_3\">[GS3]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a>A Comiss\u00e3o Europeia<\/a><a href=\"#_edn15\" id=\"_ednref15\">[xv]<\/a> \u00e9 a \u00fanica institui\u00e7\u00e3o que det\u00e9m a prerrogativa para iniciar o processo legislativo junto a poderes executivos em \u00e1reas como a concorr\u00eancia e o com\u00e9rcio externo. \u00c9 considerada o \u00f3rg\u00e3o executivo por excel\u00eancia da Uni\u00e3o Europeia, sendo formada por um col\u00e9gio de comiss\u00e1rios e um comiss\u00e1rio por Estado-Membro. A Comiss\u00e3o \u00e9 a respons\u00e1vel por supervisionar a aplica\u00e7\u00e3o do direito da Uni\u00e3o Europeia e o respeito pelos Tratados, quanto pelos Estados-Membros. Tamb\u00e9m \u00e9 quem preside \u00e0s comiss\u00f5es respons\u00e1veis pela aplica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia.<a href=\"#_msocom_4\">[GS4]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a>O Tribunal de Justi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia<\/a><a href=\"#_edn16\" id=\"_ednref16\">[xvi]<\/a> congrega duas jurisdi\u00e7\u00f5es: o Tribunal de Justi\u00e7a propriamente dito e o Tribunal Geral. \u00c9 o respons\u00e1vel por assegurar a correta interpreta\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o do direito prim\u00e1rio e do direito derivado da pr\u00f3pria Uni\u00e3o Europeia. Fiscaliza a legalidade dos atos das institui\u00e7\u00f5es e possui atribui\u00e7\u00e3o decis\u00f3ria, especialmente, no que diz respeito ao cumprimento pelos Estados-Membros das obriga\u00e7\u00f5es decorrentes do direito prim\u00e1rio e do direito derivado. O Tribunal de Justi\u00e7a interpreta, tamb\u00e9m, o direito da Uni\u00e3o Europeia, a pedido de magistrados nacionais.<a href=\"#_msocom_5\">[GS5]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Banco Central Europeu<a href=\"#_edn17\" id=\"_ednref17\">[xvii]<\/a> \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o central da Uni\u00e3o Econ\u00f4mica e Monet\u00e1ria, sendo respons\u00e1vel pela pol\u00edtica monet\u00e1ria na \u00e1rea do euro desde 1\u00ba de janeiro de 1999. O Banco Central Europeu e os bancos centrais nacionais de todos os Estados-Membros constituem o Sistema Europeu de Bancos Centrais. O objetivo primordial do Sistema Europeu de Bancos Centrais \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o da estabilidade dos pre\u00e7os. Desde 4 de novembro de 2014, ao Banco Central s\u00e3o atribu\u00eddas mat\u00e9rias espec\u00edficas e relativas \u00e0 supervis\u00e3o prudencial das institui\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito no \u00e2mbito do Mecanismo \u00danico de Supervis\u00e3o. Enquanto supervisor banc\u00e1rio, o Banco tem tamb\u00e9m um papel consultivo na avalia\u00e7\u00e3o dos planos de resolu\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Tribunal de Contas Europeu<a href=\"#_edn18\" id=\"_ednref18\">[xviii]<\/a> \u00e9 o respons\u00e1vel pela auditoria das finan\u00e7as da Uni\u00e3o Europeia. Enquanto auditor externo, contribui para o aperfei\u00e7oamento da sua gest\u00e3o financeira e atua como guardi\u00e3o independente dos interesses financeiros dos cidad\u00e3os da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Comit\u00ea Econ\u00f4mico e Social Europeu<a href=\"#_edn19\" id=\"_ednref19\">[xix]<\/a> \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o consultivo da Uni\u00e3o Europeia, sediado em Bruxelas. \u00c9 composto por 329 membros. A sua consulta pela Comiss\u00e3o, pelo Conselho ou pelo Parlamento pode ser obrigat\u00f3ria, nos dom\u00ednios estabelecidos nos Tratados, ou facultativa. Tamb\u00e9m pode emitir pareceres por iniciativa pr\u00f3pria. Os seus membros n\u00e3o est\u00e3o vinculados a quaisquer instru\u00e7\u00f5es. Exercem as suas fun\u00e7\u00f5es com total independ\u00eancia, no interesse geral da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Comit\u00ea das Regi\u00f5es<a href=\"#_edn20\" id=\"_ednref20\">[xx]<\/a> \u00e9 composto por 329 membros que representam as autoridades regionais e locais dos 27 Estados-Membros da Uni\u00e3o. Emite pareceres nos casos de consulta obrigat\u00f3ria fixados pelos Tratados, nos casos de consulta facultativa e por sua pr\u00f3pria iniciativa, quando o considere oportuno. Os seus membros n\u00e3o est\u00e3o vinculados a quaisquer ordens ou instru\u00e7\u00f5es. Exercem as suas fun\u00e7\u00f5es com independ\u00eancia, no interesse geral da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Banco Europeu de Investimento<a href=\"#_edn21\" id=\"_ednref21\">[xxi]<\/a> promove os objetivos da Uni\u00e3o Europeia ao conceder financiamento a longo prazo e garantias, bem como ao prestar aconselhamento e apoio a projetos, tanto dentro, como fora da Uni\u00e3o. Seus acionistas s\u00e3o os Estados-Membros. O Banco \u00e9 o acionista majorit\u00e1rio do Fundo Europeu de Investimento e estas duas organiza\u00e7\u00f5es formam em conjunto, o Grupo BEI. No \u00e2mbito do Plano de Investimento para a Europa da Comiss\u00e3o, o Grupo BEI insere-se numa estrat\u00e9gia mais abrangente que visa ultrapassar o d\u00e9ficit de investimento consider\u00e1vel ao aliviar os investidores de alguns riscos inerentes aos investimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Provedor de Justi\u00e7a Europeu<a href=\"#_edn22\" id=\"_ednref22\">[xxii]<\/a> procede a inqu\u00e9ritos para esclarecer eventuais casos de m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o na atua\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es, organismos, gabinetes, ag\u00eancias da Uni\u00e3o Europeia e sua interven\u00e7\u00e3o ocorre: por iniciativa pr\u00f3pria, por meio de queixas apresentadas por cidad\u00e3os da Uni\u00e3o, por qualquer pessoa \u2013 singular ou coletiva \u2013 com resid\u00eancia ou sede estatut\u00e1ria num Estado Membro. Por fim, o Provedor de Justi\u00e7a Europeu \u00e9 eleito pelo Parlamento Europeu para um mandato \u2013 cinco anos \u2013 que tem a dura\u00e7\u00e3o da legislatura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">UNI\u00c3O EUROPEIA.&nbsp; Leitura f\u00e1cil \u2013 A Uni\u00e3o Europeia. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/european-union.europa.eu\/easy-read_pt\">https:\/\/european-union.europa.eu\/easy-read_pt<\/a> &gt;. Acesso em: 24 abr. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">UNIAO EUROPEIA. Provedor de Justi\u00e7a Europeu. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/european-union.europa.eu\/institutions-law-budget\/institutions-and-bodies\/institutions-and-bodies-profiles\/european-ombudsman_pt#:~:text=O%20Provedor%20de%20Justi%C3%A7a%20Europeu,ou%20empresasestabelecidas%20na%20UE\">https:\/\/european-union.europa.eu\/institutions-law-budget\/institutions-and-bodies\/institutions-and-bodies-profiles\/european-ombudsman_pt#:~:text=O%20Provedor%20de%20Justi%C3%A7a%20Europeu,ou%20empresasestabelecidas%20na%20UE<\/a>.&gt;. Acesso em: 24 abr. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>2. San\u00e7\u00f5es da Uni\u00e3o Europeia em resposta \u00e0 invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Texto e tradu\u00e7\u00e3o de<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Guilherme Rodrigues da Silva<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Uni\u00e3o Europeia adotou san\u00e7\u00f5es em resposta ao ataque militar sem precedentes e n\u00e3o provocado da R\u00fassia contra a Ucr\u00e2nia e \u00e0 anexa\u00e7\u00e3o ilegal das regi\u00f5es ucranianas de Donetsk, Lugansk, Zapor\u00edjia e Qu\u00e9rson. As medidas destinaram-se a enfraquecer a base econ\u00f4mica da R\u00fassia, privando-a do acesso a tecnologias e mercados cr\u00edticos, com o objetivo de reduzir significativamente a sua capacidade de levar a cabo uma guerra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As san\u00e7\u00f5es adotadas contra a R\u00fassia podem ser divididas em quatro categorias: (I) san\u00e7\u00f5es contra indiv\u00edduos e entidades; (II) san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas; (III) restri\u00e7\u00f5es aos meios de comunica\u00e7\u00e3o social; e, (IV) maior rigor para emiss\u00e3o de vistos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que diz respeito \u00e0s san\u00e7\u00f5es contra indiv\u00edduos e entidades, ocorreram o congelamento de bens e a proibi\u00e7\u00e3o para viajar. Essas medidas foram aplic\u00e1veis aos seguintes cidad\u00e3os russos: ao presidente Vladimir Putin; ao ministro das rela\u00e7\u00f5es exteriores Sergey Lavrov; ao oligarca Yevgeny Prigozhin; aos empres\u00e1rios Viktor e Oleksandr Yanukovych; aos membros da Duma do Estado russo; aos membros do Conselho Nacional de Seguran\u00e7a russo; bem como aos demais militares e funcion\u00e1rios do alto escal\u00e3o, dentre outros empres\u00e1rios, propagandistas e oligarcas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outras medidas coibitivas tamb\u00e9m foram aplicadas, como o congelamento de bens pertencentes tanto da esfera privada como estatal. Assim, foram congelados, os bens de propriedade dos bancos e institui\u00e7\u00f5es financeiras, empresas do setor militar e da defesa, de empresas do ramo da avia\u00e7\u00e3o, da constru\u00e7\u00e3o naval, da constru\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas, das for\u00e7as armadas e grupos paramilitares, de partidos pol\u00edticos, bem como de organiza\u00e7\u00f5es dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, respons\u00e1veis pela propaganda e desinforma\u00e7\u00e3o russa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0s san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, estas foram adotadas atrav\u00e9s de medidas que influenciaram diretamente em setores como finan\u00e7as<a href=\"#_edn23\" id=\"_ednref23\">[xxiii]<\/a>, transportes<a href=\"#_edn24\" id=\"_ednref24\">[xxiv]<\/a>, energia<a href=\"#_edn25\" id=\"_ednref25\">[xxv]<\/a>, defesa<a href=\"#_edn26\" id=\"_ednref26\">[xxvi]<\/a>, mat\u00e9rias-primas, outros bens<a href=\"#_edn27\" id=\"_ednref27\">[xxvii]<\/a> e servi\u00e7os<a href=\"#_edn28\" id=\"_ednref28\">[xxviii]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As restri\u00e7\u00f5es aos meios de comunica\u00e7\u00e3o social abarcaram a suspens\u00e3o das atividades de radiodifus\u00e3o na Uni\u00e3o Europeia de alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o russos. S\u00e3o eles:&nbsp; Sputnik e Russia Today, bem como suas respectivas filiais; Rossiya RTR \/ RTR Planeta; Rossiya 24 \/ Russia 24; Rossiya 1; TV Centre International; NTV \/ NTV Mir; REN TV; e, Pervyi Kanal. Em mat\u00e9ria de an\u00e1lise e emiss\u00e3o de vistos, houve a suspens\u00e3o do acordo entre a Uni\u00e3o Europeia e a R\u00fassia, bem como a suspens\u00e3o das disposi\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 facilita\u00e7\u00e3o e procedimentos que favoreciam a sua concess\u00e3o a diplomatas e empres\u00e1rios russos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">UNI\u00c3O EUROPEIA. Resposta da EU \u00e0 invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.consilium.europa.eu\/pt\/policies\/eu-response-ukraine-invasion\/#:~:text=Em%2013%20de%20abril%20de,e%20a%20independ%C3%AAncia%20da%20Ucr%C3%A2nia.&gt;. Acesso em: 24 abr. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">UNI\u00c3O EUROPEIA. Medidas restritivas da EU contra a R\u00fassia a respeito da Ucr\u00e2nia \u2013 desde 2014. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.consilium.europa.eu\/pt\/policies\/sanctions\/restrictive-measures-against-russia-over-ukraine\/#:~:text=Desde%20mar%C3%A7o%20de%202014%20que,Donetsk%2C%20Lugansk%2C%20Zapor%C3%ADjia%20e%20Qu%C3%A9rson&gt;. Acesso em: 24 abr. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">UNI\u00c3O EUROPEIA. San\u00e7\u00f5es da EU contra a R\u00fassia explicadas. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.consilium.europa.eu\/pt\/policies\/sanctions\/restrictive-measures-against-russia-over-ukraine\/sanctions-against-russia-explained\/\">https:\/\/www.consilium.europa.eu\/pt\/policies\/sanctions\/restrictive-measures-against-russia-over-ukraine\/sanctions-against-russia-explained\/<\/a>&gt;. Acesso em: 24 abr. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">UNI\u00c3O EUROPEIA. Infografia &#8211; <a href=\"https:\/\/www.consilium.europa.eu\/pt\/infographics\/eu-sanctions-against-russia-over-ukraine\/\">San\u00e7\u00f5es da UE contra a R\u00fassia a respeito da Ucr\u00e2nia \u2013 desde 2014.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">UNI\u00c3O EUROPEIA. San\u00e7\u00f5es da EU contra a R\u00fassia na sequ\u00eancia da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/eu-solidarity-ukraine.ec.europa.eu\/eu-sanctions-against-russia-following-invasion-ukraine_pt&gt;. Acesso em: 24 abr. 2023.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Dispon\u00edvel em https:\/\/www.legifrance.gouv.fr\/jorf\/id\/JORFTEXT000000417977\/. Acesso em 07 jul. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Dispon\u00edvel em https:\/\/www.legifrance.gouv.fr\/loda\/id\/JORFTEXT000022911670\/. Acesso em 07 jul. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Dispon\u00edvel em https:\/\/www.legislationline.org\/download\/id\/4592\/file\/ECHR_case_EL%20MORSLI%20v.%20FRANCE_2008_en.pdf. Acesso em: 07 jul. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> Dispon\u00edvel em https:\/\/hudoc.echr.coe.int\/eng-press#{&#8220;itemid&#8221;:[&#8220;003-2569490-2781270%23&#8221;]}. Acesso em: 07 jul. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Dispon\u00edvel em https:\/\/hudoc.echr.coe.int\/eng-press#{&#8220;itemid&#8221;:[&#8220;003-2569490-2781270%23&#8221;]}. Acesso em: 07 jul. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> Dispon\u00edvel em https:\/\/www.legislationline.org\/download\/id\/4594\/file\/ECHR_cases_%20v_France_Aktas_Bayrak_Gamaleddyn_Ghazal_2009_en.pdf. Acesso em: 07 jul. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> Dispon\u00edvel em https:\/\/hudoc.echr.coe.int\/eng-press#{&#8220;itemid&#8221;:[&#8220;003-2801594-&#8220;]}. Acesso em: 07 jul. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> Dispon\u00edvel em https:\/\/www.echr.coe.int\/documents\/convention_por.pdf. Acesso em: 07 jul 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> Art. 5.1, CADH \u2013 Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua integridade f\u00edsica, ps\u00edquica e moral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> Art. 7, CADH \u2013 1. Toda pessoa tem direito \u00e0 <strong>liberdade e \u00e0 seguran\u00e7a pessoais<\/strong>. 2. Ningu\u00e9m pode ser privado de sua liberdade f\u00edsica, salvo pelas causas e nas condi\u00e7\u00f5es previamente fixadas pelas constitui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dos Estados Partes ou pelas leis de acordo com elas promulgadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> Art. 11.2, CADH \u2013 Ningu\u00e9m pode ser <strong>objeto de inger\u00eancias arbitr\u00e1rias ou abusivas em sua vida privada<\/strong>, na de <strong>sua fam\u00edlia<\/strong>, em seu domic\u00edlio ou em sua correspond\u00eancia, nem de ofensas ilegais \u00e0 sua honra ou reputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> Art. 17.2, CADH \u2013 \u00c9 <strong>reconhecido o direito <\/strong>do homem e da mulher de contra\u00edrem casamento e de <strong>fundarem uma fam\u00edlia<\/strong>, se tiverem a idade e as condi\u00e7\u00f5es para isso exigidas pelas leis internas, na medida em que n\u00e3o afetem estas o princ\u00edpio da n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o estabelecido nesta Conven\u00e7\u00e3o..<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a> Art. 1.1, CADH &#8211; Os Estados Partes nesta Conven\u00e7\u00e3o comprometem-se a respeitar os direitos e liberdades nela reconhecidos e a garantir seu livre e pleno exerc\u00edcio a toda pessoa que esteja sujeita \u00e0 sua jurisdi\u00e7\u00e3o, sem discrimina\u00e7\u00e3o alguma por motivo de ra\u00e7a, cor, sexo, idioma, religi\u00e3o, opini\u00f5es pol\u00edticas ou de qualquer outra natureza, origem nacional ou social, posi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, nascimento ou qualquer outra condi\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>&nbsp; Art. 4.1, CADH &#8211; Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida.&nbsp; Esse direito deve ser protegido pela lei e, em geral, desde o momento da concep\u00e7\u00e3o.&nbsp; Ningu\u00e9m pode ser privado da vida arbitrariamente.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref1\" id=\"_edn1\">[i]<\/a> Acesse o s\u00edtio do Parlamento Europeu em: <a href=\"https:\/\/www.europarl.europa.eu\/portal\/pt\">https:\/\/www.europarl.europa.eu\/portal\/pt<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref2\" id=\"_edn2\">[ii]<\/a> Acesse o s\u00edtio do Conselho Europeu: <a href=\"https:\/\/www.consilium.europa.eu\/pt\/european-council\/\">https:\/\/www.consilium.europa.eu\/pt\/european-council\/.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref3\" id=\"_edn3\">[iii]<\/a> Acesse o s\u00edtio do Conselho da Uni\u00e3o Europeia: <a href=\"https:\/\/www.consilium.europa.eu\/pt\/\">https:\/\/www.consilium.europa.eu\/pt\/.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref4\" id=\"_edn4\">[iv]<\/a> Acesse o s\u00edtio da Comiss\u00e3o Europeia: <a href=\"https:\/\/www.consilium.europa.eu\/pt\/\">https:\/\/www.consilium.europa.eu\/pt\/.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref5\" id=\"_edn5\">[v]<\/a> Acesse o s\u00edtio do Tribunall de Justi\u00e7a da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia: <a href=\"https:\/\/curia.europa.eu\/jcms\/jcms\/Jo1_6308\/fr\/\">https:\/\/curia.europa.eu\/jcms\/jcms\/Jo1_6308\/fr\/.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref6\" id=\"_edn6\">[vi]<\/a> Acesse o s\u00edtio do Banco Central Europeu: <a href=\"https:\/\/www.ecb.europa.eu\/home\/html\/index.pt.html.\">https:\/\/www.ecb.europa.eu\/home\/html\/index.pt.html.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref7\" id=\"_edn7\">[vii]<\/a> Acesse o s\u00edtio do Tribunal de Contas: <a href=\"https:\/\/dwww.eca.europa.eu\/pt\/Pages\/ecadefault.aspx.\">https:\/\/www.eca.europa.eu\/pt\/Pages\/ecadefault.aspx.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref8\" id=\"_edn8\">[viii]<\/a> Acesse o s\u00edtio do Comit\u00ea Econ\u00f4mico e Social Europeu: <a href=\"https:\/\/www.eesc.europa.eu\/pt.\">https:\/\/www.eesc.europa.eu\/pt.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref9\" id=\"_edn9\">[ix]<\/a> Acesse o s\u00edtio do Comit\u00ea das Regi\u00f5es: <a href=\"https:\/\/cor.europa.eu\/pt.\">https:\/\/cor.europa.eu\/pt.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref10\" id=\"_edn10\">[x]<\/a> Acesse o s\u00edtio do Banco Europeu de Investimento: <a href=\"https:\/\/www.eib.org\/en\/index.htm.\">https:\/\/www.eib.org\/en\/index.htm.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref11\" id=\"_edn11\">[xi]<\/a> Acesse o s\u00edtio do Provedor de Justi\u00e7a Europeu: <a href=\"https:\/\/www.ombudsman.europa.eu\/pt\/home.\">https:\/\/www.ombudsman.europa.eu\/pt\/home.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref12\" id=\"_edn12\">[xii]<\/a> Encontra sua base jur\u00eddica nos artigos 223 a 234, e 314, do Tratado sobre o Funcionamento da Uni\u00e3o Europeia (TFUE).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref13\" id=\"_edn13\">[xiii]<\/a> Encontra seu fundamento legal nos artigos 13, 15, 26, 27 e 42, n.\u00ba 2, do Tratado da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref14\" id=\"_edn14\">[xiv]<\/a> No quadro institucional \u00fanico da Uni\u00e3o Europeia, o Conselho exerce as atribui\u00e7\u00f5es que lhe foram cometidas pelo artigo 16 do Tratado da Uni\u00e3o Europeia e pelos artigos 237 a 243 do Tratado sobre o Funcionamento da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref15\" id=\"_edn15\">[xv]<\/a> Sua base jur\u00eddica \u00e9 ditada pelo artigo 17, do Tratado da Uni\u00e3o Europeia, artigos 234, 244 a 250, 290 e 291 do Tratado sobre o Funcionamento da Uni\u00e3o Europeia e o Tratado que institui um Conselho \u00danico e uma Comiss\u00e3o \u00danica das Comunidades Europ\u00e9ias (Tratado de Fus\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref16\" id=\"_edn16\">[xvi]<\/a> Base jur\u00eddica econtrada no artigo 19, do Tratado da Uni\u00e3o Europeia; artigos 251 a 281, do Tratado sobre o Funcionamento da Uni\u00e3o Europeia; artigo 136.\u00ba do Tratado Euratom e Protocolo n.\u00ba 3, anexo aos Tratados relativos ao Estatuto do Tribunal de Justi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia; Regulmamento 2015\/2422, do Parlamento Europeu e o Conselho, de 16 de dezembro de 2015, que altera o Protocolo n.\u00ba 3, relativo ao Estatuto do Tribunal de Justi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia; e,se\u00e7\u00e3o 4, do or\u00e7amento da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref17\" id=\"_edn17\">[xvii]<\/a> Tem como base jur\u00eddica os artigos 3.\u00ba e 13, do Tratado da Uni\u00e3o Europeia. As principais disposi\u00e7\u00f5es encontram-se no artigo 3.\u00ba, n.\u00ba 1, al\u00ednea c); artigos 119, 123, 127 a 134, 138 a 144, 219 e 282 a 284, do Tratado sobre o Funcionamento da Uni\u00e3o Europeia. Importante mencionar, tamb\u00e9m, o Protocolo n.\u00ba 4, relativo aos Estatutos do Sistema Europeu de Bancos Centrais e do Banco Central Europeu , e o Protocolo n.\u00ba 16, relativo a certas disposi\u00e7\u00f5es respeitantes \u00e0 Dinamarca, ambos anexos ao Tratado da Uni\u00e3o Europeia e ao Tratado sobre o Funcionamento da Uni\u00e3o Europeia. O Regulamento n.\u00ba 1024\/2013, do Conselho, de 15 de outubro de 2013, confere ao Banco Central Europeu atribui\u00e7\u00f5es espec\u00edficas no que diz respeito \u00e0s pol\u00edticas relativas \u00e0 supervis\u00e3o prudencial das institui\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito (Regulamento MUS). O Regulamento n.\u00ba 806\/2014, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 15 de julho de 2014, estabelece regras e um procedimento uniformes para a resolu\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito e de certas empresas de investimento (Regulamento do Mecanismo \u00danico de Resolu\u00e7\u00e3o (MUR).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref18\" id=\"_edn18\">[xviii]<\/a> Base jur\u00eddica nos artigos 285 a 287, do Tratado sobre o Funcionamento da Uni\u00e3o Europeia. Tamb\u00e9m, no Regulamento (UE, Euratom) 2018\/1046, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 18 de julho de 2018, relativo \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es financeiras aplic\u00e1veis ao or\u00e7amento geral da Uni\u00e3o (notadamente no t\u00edtulo XIV relativo \u00e0 auditoria externa e quita\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref19\" id=\"_edn19\">[xix]<\/a> A base legal do Comit\u00ea se encontra no artigo 13, n.\u00ba 4, do Tratado da Uni\u00e3o Europeia; nos artigos 300 a 304, do Tratado sobre o Funcionamento da Uni\u00e3o Europeia; na Decis\u00e3o (UE) 2019\/853, do Conselho, que determina a composi\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Econ\u00f4mico e Social Europeu e subsequentes decis\u00f5es do Conselho, que nomeiam os membros do Comit\u00ea Econ\u00f4mico e Social Europeu propostos por diferentes Estados-Membros; na Decis\u00e3o 2020\/ 1932, do Conselho, que nomeia os membros do Comit\u00ea Econ\u00f4mico e Social Europeu pelo per\u00edodo compreendido entre 21 de setembro de 2020 e 20 de setembro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref20\" id=\"_edn20\">[xx]<\/a> Tem previs\u00e3o no artigo 13, n.<sup>o<\/sup> 4, do Tratado da Uni\u00e3o Europeia; nos artigos 300 e 305 a 307, do Tratado sobre o Funcionamento da Uni\u00e3o Europeia; e v\u00e1rias decis\u00f5es do Conselho que nomeiam membros e suplentes do Comit\u00e9, segundo proposta dos Estados-Membros, para um mandato de 5 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref21\" id=\"_edn21\">[xxi]<\/a> Encontra fundamenta\u00e7\u00e3o jurpidica nos artigos 308 e 309, do Tratado sobre o Funcionamento da Uni\u00e3o Europeia. Outras disposi\u00e7\u00f5es relativas ao Banco Europeu de Investimento encontram-se nos artigos 15, 126, 175, 209, 271, 287, 289 e 343 do Tratado sobre Funcionamento da Uni\u00e3o Europeia. Importante mencionar, ainda, o Protocolo (n.\u00ba 5) sobre os Estatutos do Banco Europeu de Investimento e o Protocolo (n.\u00ba 28) sobre a coes\u00e3o econ\u00f4mica, social e territorial, em anexo ao Tratado da Uni\u00e3o Europeia e ao Tratado sobre o Funcionamento da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref22\" id=\"_edn22\">[xxii]<\/a> Base jur\u00eddica nos artigos 20, 24 e 228, do Tratado sobre o Funcionamento da Uni\u00e3o Europeia e artigo 43, da Carta dos Direitos Fundamentais da Uni\u00e3o Europeia. O estatuto e as fun\u00e7\u00f5es do Provedor de Justi\u00e7a Europeu foram definidos na decis\u00e3o do Parlamento Europeu de 9 de mar\u00e7o de 1994, adotada ap\u00f3s consulta da Comiss\u00e3o Europeia e com a aprova\u00e7\u00e3o do Conselho da Uni\u00e3o Europeia. O Provedor de Justi\u00e7a Europeu aprovou, posteriormente, disposi\u00e7\u00f5es de execu\u00e7\u00e3o relativas a esta decis\u00e3o. A decis\u00e3o foi revogada e substitu\u00edda por um regulamento do Parlamento Europeu de 24 de junho de 2021, seguindo o mesmo procedimento. Os artigos 231 a 233, do Regimento do Parlamento Europeu estabelecem os procedimentos relativos \u00e0 elei\u00e7\u00e3o e destitui\u00e7\u00e3o do Provedor de Justi\u00e7a Europeu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref23\" id=\"_edn23\">[xxiii]<\/a> Proibi\u00e7\u00e3o de acesso ao SWIFT para dez bancos russos; restri\u00e7\u00f5es ao acesso da R\u00fassia aos mercados e servi\u00e7os financeiros e de capitais da UE; proibi\u00e7\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o de transa\u00e7\u00f5es com o Banco Central da R\u00fassia; proibi\u00e7\u00e3o do fornecimento de notas em euros \u00e0 R\u00fassia; e, proibi\u00e7\u00e3o da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de carteiras de criptoativos a cidad\u00e3os russos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref24\" id=\"_edn24\">[xxiv]<\/a> Encerramento do espa\u00e7o a\u00e9reo da Uni\u00e3o Europeia a todas as aeronaves russas; encerramento dos portos da Uni\u00e3o Europiea a navios russos; proibi\u00e7\u00e3o de entrada na Uni\u00e7ao Europeia para os operadores de transportes rodovi\u00e1rios russos; proibi\u00e7\u00e3o do transporte mar\u00edtimo de petr\u00f3leo russo para pa\u00edses terceiros; e, proibi\u00e7\u00e3o da exporta\u00e7\u00e3o para a R\u00fassia de bens e tecnologias para utiliza\u00e7\u00e3o nos setores espacial, mar\u00edtimo e da avia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref25\" id=\"_edn25\">[xxv]<\/a> Proibi\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e carv\u00e3o provenientes da R\u00fassia; fixa\u00e7\u00e3o de um limite m\u00e1ximo de pre\u00e7o relacionado com o transporte mar\u00edtimo de petr\u00f3leo russo; proibi\u00e7\u00e3o da exporta\u00e7\u00e3o para a R\u00fassia de bens e tecnologias para utiliza\u00e7\u00e3o no setor da refina\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo; proibi\u00e7\u00e3o de novos investimentos nos setores da energia e da extra\u00e7\u00e3o mineira da R\u00fassia; e, proibi\u00e7\u00e3o da disponibiliza\u00e7\u00e3o de capacidade de armazenamento de g\u00e1s a cidad\u00e3os russos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref26\" id=\"_edn26\">[xxvi]<\/a> Proibi\u00e7\u00e3o da exporta\u00e7\u00e3o para a R\u00fassia de: bens e tecnologias de dupla utiliza\u00e7\u00e3o para uso militar, motores de drones, armas e armas de fogo civis, muni\u00e7\u00f5es, ve\u00edculos e equipamentos militares e equipamentos paramilitares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref27\" id=\"_edn27\">[xxvii]<\/a> Proibi\u00e7\u00e3o da exporta\u00e7\u00e3o de artigos de luxo para a R\u00fassia; proibi\u00e7\u00e3o de importar da R\u00fassia: a\u00e7o, ferro, cimento e asfalto, madeira, papel, borracha sint\u00e9tica e pl\u00e1stico, produtos do mar, bebidas espirituosas, cigarros e cosm\u00e9ticos, ouro, incluindo joias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ednref28\" id=\"_edn28\">[xxviii]<\/a> Proibi\u00e7\u00e3o da presta\u00e7\u00e3o dos seguintes servi\u00e7os \u00e0 R\u00fassia ou a cidad\u00e3os russos: servi\u00e7os de arquitetura e engenharia servi\u00e7os de consultoria inform\u00e1tica e servi\u00e7os de aconselhamento jur\u00eddico servi\u00e7os de publicidade, estudos de mercado e sondagens de opini\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PROJETO CLOBAL CROSSINGSPROFA. CLAUDIA LOUREIROC\u00c1TEDRA JEAN MONNET\/UFUNEWSLETTER SE\u00c7\u00c3O 1: PRINCIPAIS JULGAMENTOS DO TRIBUNAL DE JUSTI\u00c7A DA UNI\u00c3O EUROPEIA Texto de Jo\u00e3o L\u00e1zaro Machado de Assis Matos O Tribunal de Justi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia julgou em 2014 um caso sobre o direito ao esquecimento. 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