{"id":1180,"date":"2025-07-01T15:56:10","date_gmt":"2025-07-01T18:56:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.globalcrossings.com.br\/?p=1180"},"modified":"2025-07-01T15:56:10","modified_gmt":"2025-07-01T18:56:10","slug":"catedra-jean-monnet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.globalcrossings.com.br\/en\/2025\/07\/01\/catedra-jean-monnet\/","title":{"rendered":"C\u00c1TEDRA JEAN MONNET"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERL\u00c2NDIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PROJETO GLOBAL CROSSINGS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>COORDENA\u00c7\u00c3O: PROFA. CLAUDIA LOUREIRO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NEWSLETTER ESPECIAL&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>MUDAN\u00c7AS CLIM\u00c1TICAS NA EUROPA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os textos abaixo versam sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na Europa, tratando sobre as ondas de calor na Europa, os impactos clim\u00e1ticos advindos da agricultura e um paralelo hist\u00f3rico entre a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e as chuvas \u00e1cidas. Essa produ\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado de uma avalia\u00e7\u00e3o da disciplina de Meio Ambiente, Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas no Cen\u00e1rio Internacional da UFRN ministrada pelo Prof. Raimundo Nonato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Discentes:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Deysiane Ariele Nunes de Oliveira<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Let\u00edcia Furtado Oliveira Menezes<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Yasmim Kamila da Costa Ribeiro<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a>&nbsp;1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;ONDAS DE CALOR NA EUROPA<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a>&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>As ondas de calor no continente Europeu consistem em uma problem\u00e1tica grave e intensificada ao longo dos anos, culminando em impactos multissetoriais disseminados e cada vez mais percept\u00edveis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Consoante o Relat\u00f3rio sobre o Estado do Clima na Europa, propagado pelo Servi\u00e7o de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas do Copernicus e pela Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial, h\u00e1 a instaura\u00e7\u00e3o de um preocupante cen\u00e1rio com consequ\u00eancias severas na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, bem como no meio ambiente, dada a intensifica\u00e7\u00e3o inescrupulosa de inc\u00eandios florestais e a eleva\u00e7\u00e3o de gases do efeito estufa. Segundo o Relat\u00f3rio ocorreu uma eleva\u00e7\u00e3o em 30% nas mortes ocasionadas em decorr\u00eancia da eleva\u00e7\u00e3o das temperaturas, somente nos \u00faltimos 20 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais, foi verificado que o ano de 2023 foi o ano mais quente j\u00e1 registrado desde o in\u00edcio dos estudos, sendo preocupante resultado de tal evento clim\u00e1tico e meteorol\u00f3gico extremo: A \u201cEuropa \u00e9 uma das regi\u00f5es com o maior aumento projetado no risco de inunda\u00e7\u00f5es, e um aquecimento global de 1,5 \u00b0C poderia resultar em 30 mil mortes anuais na Europa devido ao calor extremo\u201d, afirma o Copernicus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal cen\u00e1rio denota a gravidade de uma conjuntura que intimamente se vincula aos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Uma atua\u00e7\u00e3o direcionada e resolutiva de atenua\u00e7\u00e3o, repara\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o deve ser foco e prerrogativa de atua\u00e7\u00e3o interinstitucional, tanto a n\u00edvel local como global.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Um comunicado publicado em 2024 pela divis\u00e3o europeia da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) alerta que mais de 175 mil pessoas v\u00eam a \u00f3bito anualmente no continente europeu, em decorr\u00eancia dos efeitos da eleva\u00e7\u00e3o extrema das temperaturas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Trata de uma porcentagem equivalente a 36% do total de mortes vinculadas direta ou indiretamente ao calor, registradas entre os anos 2000 e 2019. De acordo com a OMS, a facilidade de ganho de temperatura e consequente aquecimento do continente europeu \u00e9 alarmante e repercutem tanto no cen\u00e1rio ambiental, como tamb\u00e9m vem a agravar doen\u00e7as cardiovasculares, cerebrovasculares e respirat\u00f3rias, para al\u00e9m da configura\u00e7\u00e3o de um verdadeiro estresse t\u00e9rmico, com efeitos ps\u00edquicos e emocionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;De acordo com o Secret\u00e1rio-Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, o olhar atento aos vulner\u00e1veis, o cuidado com o meio ambiente e a tomada de medidas para estabiliza\u00e7\u00e3o do aumento da temperatura global \u00e9 imprescind\u00edvel para que se possa ocorrer uma m\u00ednima resolutividade frente a tal preocupante quest\u00e3o. Caso contr\u00e1rio, um cen\u00e1rio catastr\u00f3fico de inunda\u00e7\u00f5es, calor extremo e seca \u00e9 inevit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um cen\u00e1rio contempor\u00e2neo de frequentes inc\u00eandios florestais e eleva\u00e7\u00e3o das temperaturas em in\u00fameras \u00e1reas da Europa, o chefe do Escrit\u00f3rio Regional da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade na Europa, Hans Kluge, demonstra preocupa\u00e7\u00e3o frente \u00e0 gravidade dos efeitos desastrosos oriundos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no continente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Kluge entende que, de fato, \u201ca mudan\u00e7a clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 nova. Suas consequ\u00eancias, no entanto, est\u00e3o aumentando esta\u00e7\u00e3o ap\u00f3s esta\u00e7\u00e3o, ano ap\u00f3s ano, com resultados desastrosos\u201d, evidenciando que os inc\u00eandios em 2022 ultrapassaram fronteiras e alcan\u00e7aram o norte da Escandin\u00e1via.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para ele, deve \u201cexistir uma vontade de a\u00e7\u00e3o desesperada pan-europeia para combater efetivamente as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a crise abrangente de nosso tempo que amea\u00e7a tanto a sa\u00fade individual quanto a pr\u00f3pria exist\u00eancia da humanidade\u201d.&nbsp;&nbsp;Assim, a manifesta\u00e7\u00e3o de atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a aplica\u00e7\u00e3o coordenada e direcionada dos institutos dispostos no Acordo de Paris emerge um cen\u00e1rio de \u00ednfima esperan\u00e7a diante de uma cat\u00e1strofe ecol\u00f3gica preocupante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A celeridade e intensidade da eleva\u00e7\u00e3o das temperaturas na Europa intriga e preocupa cientistas e estudiosos de climatologia, sendo consequ\u00eancia direta do aquecimento global, o qual vem gerando impactos mais graves do que qualquer evento clim\u00e1tico nos \u00faltimos 2 mil anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;De acordo com pesquisadores su\u00ed\u00e7os do Instituto de Ci\u00eancia Clim\u00e1tica e Atmosf\u00e9rica de Zurique, os dias de ver\u00e3o com calor extremo triplicaram desde o ano de 1950, somente no continente europeu. Para al\u00e9m disso, h\u00e1 uma eleva\u00e7\u00e3o na temperatura m\u00e9dia no inverno, demonstrando uma tend\u00eancia evolutiva mais r\u00e1pida de calor extremo do que os estudos preliminares de monitoramento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Segundo os pesquisadores, os ver\u00f5es e invernos europeus estar\u00e3o mais quentes pelos pr\u00f3ximos anos. Cabe a men\u00e7\u00e3o que, em 2019, o ver\u00e3o na regi\u00e3o Sul da Fran\u00e7a alcan\u00e7ou um recorde de 46\u00baC e que a tend\u00eancia \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o de dados alarmantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Vale a rememora\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio dr\u00e1stico das ondas de calor na Fran\u00e7a no ano de 2022. A M\u00e9t\u00e9o France, servi\u00e7o nacional de meteorologia,&nbsp;&nbsp;alertou, \u00e0 \u00e9poca, que tempestades violentas deveriam ocorrer nas regi\u00f5es dos Altos-Pirineus e de B\u00e9arn, para al\u00e9m da primordialidade de atua\u00e7\u00e3o direta no combate \u00e0 inc\u00eandio florestais na regi\u00e3o que queimaram 4.700 hectares de floresta em La Teste de Buch e 12.000 hectares em Landiras, mobilizando mais de dois mil bombeiros de toda a Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Refer\u00eancias<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRAITHWAITE, Sharon.&nbsp;<strong>Mais de 1,7 mil pessoas morreram por conta do calor na Europa, diz OMS<\/strong>. [S. l.]: CNN Brasil, 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/internacional\/mais-de-17-mil-pessoas-morreram-por-conta-do-calor-na-europa-diz-oms\/. Acesso em: 22 maio 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">G1. Temperatura deve passar de 40\u00baC em Paris e inc\u00eandios devastam o sul da Fran\u00e7a.&nbsp;<strong>G1<\/strong>, 19 jul. 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/2022\/07\/19\/onda-de-calor-na-europa-temperatura-deve-passar-de-40oc-em-paris-e-incendios-devastam-sul-da-franca.ghtml. Acesso em: 22 maio 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GALILEU. Europa est\u00e1 aquecendo mais r\u00e1pido do que o esperado, afirmam cientistas.&nbsp;<strong>Revista Galileu<\/strong>, 2019. Dispon\u00edvel em: https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Ciencia\/Meio-Ambiente\/noticia\/2019\/09\/europa-esta-aquecendo-mais-rapido-do-que-o-esperado-afirmam-cientistas.html. Acesso em: 22 maio 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ONU NEWS.&nbsp;<strong>Ondas de calor na Europa aumentam mortes e causam impactos generalizados<\/strong>. Na\u00e7\u00f5es Unidas, 22 abr. 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2024\/04\/1830626. Acesso em: 22 maio 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">WORLD HEALTH ORGANIZATION. Regional Office for Europe.&nbsp;<strong>Home<\/strong>. [S. l.]: WHO, c2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.who.int\/europe\/home?v=welcome. Acesso em: 22 maio 2025.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a>&nbsp;2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;IMPACTOS DA AGRICULTURA<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a>&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O plano da Uni\u00e3o Europeia para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 chamado de Pacto Verde Europeu, aprovado em 2020. Ele visa tornar a UE neutra em carbono at\u00e9 2050, reformulando leis antigas com foco no clima e criando novos padr\u00f5es para \u00e1reas como economia circular, renova\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios, biodiversidade, agricultura e inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 um plano ambicioso e, entre suas metas mais controversas, est\u00e3o: os agricultores precisam usar 4% das terras ar\u00e1veis \u200b\u200bpara fins n\u00e3o produtivos e reduzir o uso de fertilizantes em 20%, o que tem causado muito debate sobre os impactos no setor agr\u00edcola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas estrat\u00e9gias t\u00eam um nome: &#8220;Do Prado para o Prato&#8221;, que visa n\u00e3o encarecer os alimentos, garantindo op\u00e7\u00f5es mais saud\u00e1veis \u200b\u200bpara os consumidores, al\u00e9m de embalagens sustent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa iniciativa gerou uma s\u00e9rie de protestos, muitos violentos, sob o slogan &#8220;sem fazenda, sem comida&#8221;. Embora cada pa\u00eds europeu tivesse suas pr\u00f3prias raz\u00f5es para instigar os protestos, um denominador comum foi a regulamenta\u00e7\u00e3o ambiental, que prejudicava a renda dos agricultores e a viabilidade de sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2020, 157 milh\u00f5es de hectares de terra eram utilizados para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola na UE, 38% da \u00e1rea total da UE. Essa quantidade de terra causou alguns efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como a perda de biodiversidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, a Europa testemunhou uma queda dr\u00e1stica, de quase 50%, nas popula\u00e7\u00f5es de aves comuns em terras agr\u00edcolas, como a trigueirinha, o pintassilgo, o abibe e a cotovia. Esse decl\u00ednio acentuado, destacado pelo \u00cdndice de Aves em Terras Agr\u00edcolas, pinta um quadro preocupante da deteriora\u00e7\u00e3o dos ecossistemas agr\u00edcolas e da biodiversidade do continente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em toda a Europa, a maioria dos habitats naturais e da vida selvagem protegidos ainda enfrenta dificuldades. Aproximadamente 60% das esp\u00e9cies protegidas e impressionantes 77% dos tipos de habitat permanecem em mau estado de conserva\u00e7\u00e3o. O continente tamb\u00e9m n\u00e3o atingiu sua meta de interromper a perda de biodiversidade at\u00e9 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A agricultura, especialmente em sua forma intensiva, \u00e9 uma das principais respons\u00e1veis pela polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua na Europa. Estima-se que mais de 50% do nitrog\u00eanio presente nos corpos d&#8217;\u00e1gua europeus seja proveniente das atividades agr\u00edcolas, al\u00e9m de uma quantidade significativa de fosfatos. Esse excesso de nutrientes, resultado tanto do uso de fertilizantes quanto do manejo inadequado de res\u00edduos como urina e esterco animal, contribui para a eutrofiza\u00e7\u00e3o \u2014 um fen\u00f4meno que leva \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o excessiva de algas e plantas aqu\u00e1ticas. Esse desequil\u00edbrio reduz os n\u00edveis de oxig\u00eanio na \u00e1gua, afetando gravemente a vida aqu\u00e1tica e comprometendo o funcionamento saud\u00e1vel dos ecossistemas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 particularmente cr\u00edtica em regi\u00f5es com forte presen\u00e7a da pecu\u00e1ria leiteira, como Irlanda e It\u00e1lia. O setor de produ\u00e7\u00e3o de latic\u00ednios \u00e9 um dos que mais impacta o meio ambiente, sendo respons\u00e1vel n\u00e3o apenas pela emiss\u00e3o de gases de efeito estufa, mas tamb\u00e9m pela contamina\u00e7\u00e3o de \u00e1guas subterr\u00e2neas e superficiais. A gest\u00e3o inadequada de res\u00edduos org\u00e2nicos e fertilizantes intensifica a polui\u00e7\u00e3o, especialmente em per\u00edodos de estiagem e baixos n\u00edveis dos rios \u2014 como tem sido observado no norte da It\u00e1lia, agravado pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Europa abriga cerca de 100 mil corpos d&#8217;\u00e1gua superficiais (rios, lagos, p\u00e2ntanos, reservat\u00f3rios) e 12 mil aqu\u00edferos subterr\u00e2neos, fundamentais tanto para o abastecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel quanto para a preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. No entanto, esses sistemas est\u00e3o entre os ecossistemas mais degradados do mundo. Em toda a Europa Ocidental, estima-se que cerca de 25% do nitrog\u00eanio presente nas excre\u00e7\u00f5es animais seja liberado na atmosfera, representando n\u00e3o s\u00f3 uma amea\u00e7a ambiental, mas tamb\u00e9m um risco \u00e0 sa\u00fade humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os solos saud\u00e1veis desempenham um papel essencial para a manuten\u00e7\u00e3o da vida e dos ecossistemas, fornecendo servi\u00e7os fundamentais como a seguran\u00e7a alimentar, a prote\u00e7\u00e3o da sa\u00fade humana e a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. No entanto, entre 60% e 70% dos solos da Uni\u00e3o Europeia est\u00e3o em estado degradado, resultado de fatores naturais e socioecon\u00f4micos diversos. Essa degrada\u00e7\u00e3o compromete a qualidade do solo, limita suas fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, reduz sua produtividade e representa um preju\u00edzo econ\u00f4mico consider\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A degrada\u00e7\u00e3o do solo amea\u00e7a diretamente a capacidade produtiva das terras agr\u00edcolas. \u00c0 medida que o solo se deteriora, os pa\u00edses enfrentam uma queda progressiva na produ\u00e7\u00e3o de alimentos e, em muitos casos, o abandono gradual de \u00e1reas agricult\u00e1veis, principalmente aquelas em processo de desertifica\u00e7\u00e3o. Isso ocorre devido aos altos custos de recupera\u00e7\u00e3o e \u00e0 crescente incerteza clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A eros\u00e3o causada pela \u00e1gua \u2014 incluindo a eros\u00e3o laminar e a eros\u00e3o em sulcos \u2014 \u00e9 a principal respons\u00e1vel pela perda de solo na Uni\u00e3o Europeia. Dados de 2016 mostram que mais de 80% das \u00e1reas afetadas por eros\u00e3o h\u00eddrica moderada a severa s\u00e3o compostas por terras cultiv\u00e1veis e pastagens naturais. Atualmente, cerca de 115 milh\u00f5es de hectares do territ\u00f3rio europeu sofrem com a eros\u00e3o provocada pela \u00e1gua, e outros 42 milh\u00f5es s\u00e3o afetados pela eros\u00e3o causada pelo vento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa perda \u00e9 especialmente alarmante quando se considera que os solos armazenam cerca de um quarto de toda a biodiversidade do planeta. Proteger o solo \u00e9, portanto, uma condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para garantir a sustentabilidade ambiental, a seguran\u00e7a alimentar e a resili\u00eancia frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Refer\u00eancias<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2023-2024 EUROPEAN UNION FARMERS\u2019 PROTESTS. In:&nbsp;<strong>Wikipedia, the free encyclopedia<\/strong>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/2023%E2%80%932024_European_Union_farmers%27_protests. Acesso em: 21 mai. 2025.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EFTHIMIOU, Nikolaos. Governance and degradation of soil in the EU. An overview of policies with a focus on soil erosion.<strong>&nbsp;Soil and Tillage Research<\/strong>, Volume 245, January 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S016719872400309X. Acesso em: 21 mai. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EUROPEAN COMMISSION.&nbsp;<strong>The EU crop map &#8211; a first continental high-resolution map of the European Union<\/strong>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/joint-research-centre.ec.europa.eu\/jrc-news-and-updates\/eu-crop-map-2021-10-18_en. Acesso em: 21 mai. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EUROPEAN GREEN DEAL. In:&nbsp;<strong>Wikipedia, the free encyclopedia<\/strong>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/European_Green_Deal. Acesso em: 21 mai. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EUROSTAT.&nbsp;<strong>Agri-environmental indicator &#8211; soil erosion<\/strong>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ec.europa.eu\/eurostat\/statistics-explained\/index.php?title=Agri-environmental_indicator_-_soil_erosion. Acesso em: 21 mai. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EUROSTAT.&nbsp;<strong>Farms and farmland in the European Union &#8211; statistics<\/strong>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ec.europa.eu\/eurostat\/statistics-explained\/index.php?title=Farms_and_farmland_in_the_European_Union_-_statistics. Acesso em: 21 mai. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FINGER, Robert, et. al. Farmer Protests in Europe 2023\u20132024.&nbsp;<strong>EuroChoices<\/strong>, v. 23, issue 3, 30 set. 2024. DOI: https:\/\/doi.org\/10.1111\/1746-692X.12452.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IFOAM.&nbsp;<strong>#LASTCHANCECAP AGRICULTURE POLICY MUST LIMIT BIODIVERSITY LOSS<\/strong>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.sdgwatcheurope.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CAP-and-biodiversity-factsheet.pdf. Acesso em: 21. Mai. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MACEARLEAN, Fergal. Intensive dairy agriculture major polluter of Europe\u2019s surface waters.&nbsp;<strong>Water News Europe<\/strong>, 01 nov. 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.waternewseurope.com\/intensive-dairy-agriculture-major-polluter-europes-surface-waters\/. Acesso em: 21 mai. 2025.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a>&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<ol start=\"3\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>CHUVA \u00c1CIDA<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um fen\u00f4meno ambiental preocupante tem ganhado destaque nos \u00faltimos meses: a chuva \u00e1cida. Dados recentes demonstram um aumento significativo da precipita\u00e7\u00e3o em determinados per\u00edodos do ano, como o observado em mar\u00e7o, com m\u00e9dia superior a 120 mm, seguido por janeiro e novembro. Especialistas alertam que a eleva\u00e7\u00e3o nos \u00edndices pode estar relacionada ao agravamento da polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A chuva \u00e1cida ocorre devido \u00e0 libera\u00e7\u00e3o de gases poluentes na atmosfera, como di\u00f3xidos de enxofre (SO\u2082) e \u00f3xidos de nitrog\u00eanio (NO\u2093), que reagem com a \u00e1gua presente nas nuvens e formam \u00e1cidos. Esses gases s\u00e3o emitidos, em sua maioria, por atividades humanas, como a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis em ind\u00fastrias, usinas termel\u00e9tricas e ve\u00edculos automotores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora existam causas naturais para o fen\u00f4meno, como erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas, os cientistas s\u00e3o un\u00e2nimes em afirmar que a principal origem est\u00e1 na a\u00e7\u00e3o humana. &#8220;\u00c9 um impacto direto do nosso modelo de desenvolvimento industrial e urbano&#8221;, destaca a bi\u00f3loga ambiental Sofia Mart\u00edn, da Universidade de Madri.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dos danos \u00e0 sa\u00fade humana e ao meio ambiente, a chuva \u00e1cida pode comprometer solos, corpos d&#8217;\u00e1gua, florestas e constru\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas. A tend\u00eancia de aumento nas chuvas mais intensas em meses espec\u00edficos refor\u00e7a a urg\u00eancia por pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de poluentes e ao incentivo de fontes limpas de energia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fen\u00f4meno, que h\u00e1 d\u00e9cadas \u00e9 tema de preocupa\u00e7\u00e3o ambiental global, agora volta ao centro do debate diante dos dados alarmantes. A responsabilidade coletiva, segundo os especialistas, \u00e9 o \u00fanico caminho para conter os efeitos devastadores da chuva \u00e1cida nas pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dado alarmante acendeu o sinal de alerta na Europa: cerca de 50% das florestas da Alemanha e da Holanda j\u00e1 foram destru\u00eddas pela a\u00e7\u00e3o da chuva \u00e1cida. O fen\u00f4meno, agravado pela polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, vem comprometendo gravemente os ecossistemas da regi\u00e3o, com impactos diretos na biodiversidade, no solo e na qualidade do ar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A chuva \u00e1cida ocorre quando gases poluentes, como di\u00f3xido de enxofre (SO\u2082) e \u00f3xidos de nitrog\u00eanio (NO\u2093), s\u00e3o lan\u00e7ados na atmosfera por atividades humanas \u2014 especialmente pela queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis em f\u00e1bricas, usinas e ve\u00edculos. Esses gases reagem com a \u00e1gua presente nas nuvens, formando \u00e1cidos que retornam \u00e0 superf\u00edcie em forma de precipita\u00e7\u00e3o. Ao atingirem as florestas, esses compostos corroem as folhas, enfraquecem o solo e tornam as \u00e1rvores mais suscet\u00edveis a doen\u00e7as e pragas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Especialistas destacam que os pa\u00edses mais industrializados, como Alemanha e Holanda, s\u00e3o tamb\u00e9m os mais afetados. &#8220;As concentra\u00e7\u00f5es elevadas de poluentes fazem com que a chuva \u00e1cida seja recorrente, o que tem um efeito cumulativo sobre as florestas&#8221;, afirma Hans M\u00fcller, pesquisador ambiental do Instituto Europeu de Estudos Clim\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da perda de cobertura vegetal, o fen\u00f4meno contribui para o desequil\u00edbrio dos ecossistemas e acelera as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Em \u00e1reas como a Floresta Negra (Alemanha) e reservas naturais holandesas, j\u00e1 se observam danos irrevers\u00edveis, afetando n\u00e3o s\u00f3 a flora, mas tamb\u00e9m a fauna que depende dessas \u00e1reas para sobreviver.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Medidas de conten\u00e7\u00e3o, como o uso de tecnologias menos poluentes e investimentos em energia limpa, est\u00e3o em debate entre os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia. No entanto, organiza\u00e7\u00f5es ambientais alertam que as a\u00e7\u00f5es precisam ser urgentes e coordenadas para evitar que o impacto se torne ainda mais devastador.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Refer\u00eancias<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MAGALH\u00c3ES, Lana. Chuva \u00c1cida.&nbsp;<strong>Toda Mat\u00e9ria<\/strong>, [s. d.]. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.todamateria.com.br\/chuva-acida\/. Acesso em: 21 mai. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES SOBRE OS IMPACTOS DA MINERA\u00c7\u00c3O E DO AGRONEG\u00d3CIO NO DESMATAMENTO DA FLORESTA AMAZ\u00d4NICA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este \u00e9 um trabalho em grupo dos alunos Ezequiel Nascimento, Larissa Felipe e Laura Beatriz, para da componente de Meio Ambiente e Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica no Cen\u00e1rio Internacional, do curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFRN.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"1\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>RESUMO E APRESENTA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Am\u00e9rica do Sul pulsa. Vibra. Grita. \u00c9 ber\u00e7o de uma natureza t\u00e3o rara que parece ter sa\u00eddo de um sonho coletivo. Mas esse sonho vem sendo dilacerado por motosserras, esmagado por tratores e contaminado por ambi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o criam ra\u00edzes, apenas arrancam as que j\u00e1 existem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Amaz\u00f4nia, esse cora\u00e7\u00e3o verde que pulsa no centro do continente, agoniza em sil\u00eancio. O desmatamento se espalha como uma febre antiga, que todos j\u00e1 conhecem, mas preferem fingir que n\u00e3o sentem. Minera\u00e7\u00e3o, agroneg\u00f3cio, interesses econ\u00f4micos que, na balan\u00e7a dos lucros, valem mais que vidas, tudo isso se mistura numa engrenagem que gira sem freios, nos levando a um destino perigoso, talvez irrevers\u00edvel. E os dados s\u00e3o brutais: mais de 20% da floresta j\u00e1 virou lembran\u00e7a. Milh\u00f5es de pessoas afetadas por conflitos invis\u00edveis aos olhos dos grandes centros. E ainda h\u00e1 quem chame isso de \u201cprogresso\u201d. Mas espera a\u00ed\u2026 desde quando destruir \u00e9 o mesmo que desenvolver?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este trabalho \u00e9 mais do que um alerta: \u00e9 um convite. Um chamado para que a gente olhe de novo, repense e replante ideias. Porque proteger a Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 uma tend\u00eancia passageira, \u00e9 quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia. Resistir, hoje, \u00e9 semear o amanh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSe uma \u00e1rvore cai na floresta e ningu\u00e9m est\u00e1 l\u00e1 para ouvir, ela faz barulho?\u201d Esse dilema filos\u00f3fico sobre percep\u00e7\u00e3o e realidade ganha uma nova camada na Am\u00e9rica do Sul, especialmente entre os oito pa\u00edses que compartilham a Amaz\u00f4nia. Por aqui, a resposta \u00e9 dolorosamente clara. O desmatamento se d\u00e1 todos os dias, mas a percep\u00e7\u00e3o humana: limitada, seletiva, urbana, n\u00e3o d\u00e1 conta de captar o que est\u00e1 em jogo. As \u00e1rvores caem, e o mundo continua como se nada tivesse acontecido. Mas as consequ\u00eancias falam, mesmo quando n\u00e3o queremos ouvir. Est\u00e3o no aumento das temperaturas, na perda da biodiversidade, nas comunidades inteiras sendo silenciadas por interesses que passam por cima delas como correntes de ferro. Sentimos, sim, no clima, na pele, nas manchetes. Mas sentir \u00e9 suficiente? O que fazemos depois de perceber?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa \u00e9 a verdadeira quest\u00e3o ambiental. E a inten\u00e7\u00e3o aqui n\u00e3o \u00e9 nos paralisar diante da destrui\u00e7\u00e3o do que \u00e9, por direito, de todos n\u00f3s \u2014 o acesso a um meio ambiente equilibrado e saud\u00e1vel. \u00c9, sim, nos despertar para o fato de que interesses privados est\u00e3o sendo priorizados em detrimento do bem comum. E que, se nada mudar, n\u00e3o estaremos perdendo apenas um futuro poss\u00edvel ou um amanh\u00e3 desej\u00e1vel, estaremos perdendo o pr\u00f3prio amanh\u00e3. Proteger a Amaz\u00f4nia \u00e9, acima de tudo, lutar pelo direito de existir no tempo. Porque a floresta n\u00e3o \u00e9 o passado. Ela \u00e9 a chance de termos um futuro.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"2\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>DESMATAMENTO<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A regi\u00e3o de 8,5 milh\u00f5es de km2 conhecida como \u201cPan-Amaz\u00f4nia\u201d \u00e9 dividida entre oito pa\u00edses independentes (Bol\u00edvia, Brasil, Col\u00f4mbia, Equador, Guiana, Peru, Venezuela e Suriname) e a regi\u00e3o ultramarina da Fran\u00e7a, a Guiana Francesa. Por sua vez, o que conhecemos como \u201cAmaz\u00f4nia Legal\u201d \u00e9 uma divis\u00e3o pol\u00edtica feita pelo governo brasileiro em que determina os limites da \u201cAmaz\u00f4nia Brasileira\u201d, a floresta Amaz\u00f4nica dentro dos limites do territ\u00f3rio brasileiro, que engloba oito estados (Acre, Amap\u00e1, Amazonas, Par\u00e1, Roraima, Rond\u00f4nia, Mato Grosso, Tocantins e Maranh\u00e3o) e compreende mais de 772 munic\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A floresta amaz\u00f4nica se destaca entre os biomas mundiais pela sua taxa de floresta<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">prim\u00e1ria, termo que se refere a por\u00e7\u00f5es florestais que n\u00e3o tenham sido tocadas ou modificadas de forma t\u00e3o predat\u00f3ria pelo ser humano. Contudo, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a taxa de desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal aumenta de forma significativa principalmente nas por\u00e7\u00f5es de floresta prim\u00e1ria, com um aumento de 6.947 km2 em 2017, at\u00e9 atingir pico de 13.038 km2 em 2021 e posterior redu\u00e7\u00e3o para at\u00e9 6.288 km2 em 2024 (INPE, 2024). Quando falamos do desmatamento acumulado, do<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">desmatamento total, 20,6% da cobertura florestal original foi desmatada (INPE, 2024). O desmatamento ocorre principalmente nos estados do Par\u00e1, Mato Grosso e Amazonas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com n\u00fameros t\u00e3o expressivos, a necessidade de se apontar dedos para os verdadeiros culpados e quais s\u00e3o as principais causas apenas aumenta tamb\u00e9m. O problema consider\u00e1vel das queimadas na Amaz\u00f4nia Legal e no Cerrado, por exemplo, de acordo com o projeto BDQueimadas do INPE, \u00e9 causado pela limpeza das \u00e1reas para pasto e agricultura (INPE, 2024). Al\u00e9m de desmatar, as queimadas provocam focos de calor, termo que se refere \u00e0 \u00e1reas em que a temperatura est\u00e1 acima de 47\u00b0C, e o n\u00famero de focos de calor de 2024 foi o maior n\u00famero do per\u00edodo de 2014-2024, atingindo 192.700 focos de calor, um aumento de 52% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior (INPE, 2025). Quando consideramos os mais de 700 munic\u00edpios dentro da Amaz\u00f4nia Legal, os focos de calor se consagram como um problema de bem-estar social atual. Como uma consequ\u00eancia da libera\u00e7\u00e3o desenfreada de Gases de Efeito Estufa (GEE) decorrentes das atividades que ocorrem na regi\u00e3o, de acordo com o Sistema de Estimativas de Emiss\u00f5es e Remo\u00e7\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (SEEG), 48% das emiss\u00f5es de todo o Brasil ocorreram na Amaz\u00f4nia Legal, com mais de 1,1 bilh\u00e3o de toneladas sendo emitida em 2023 (SEEG, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O garimpo ilegal tamb\u00e9m ganha o seu espa\u00e7o como um dos principais contribuintes para a dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, tendo crescido proporcionalmente entre 2000 e 2023, principalmente nas regi\u00f5es Tapaj\u00f3s no estado do Par\u00e1 e na Terra Ind\u00edgena Yanomami em Roraima (Mapbiomas, 2024). Um outro agente causador \u00e9 a atividade do agroneg\u00f3cio que, segundo a Pesquisa Pecu\u00e1ria Municipal (PPM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), mais do que dobrou entre 2000 e 2023, indo de 47,2 milh\u00f5es de cabe\u00e7as de gado para 104,8 milh\u00f5es de cabe\u00e7as de gados (IBGE, 2024).<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"3\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>AGRONEG\u00d3CIO<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desmatamento na Am\u00e9rica do Sul \u00e9 um fen\u00f4meno intensificado principalmente pela expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio, com destaque para o Brasil, mas tamb\u00e9m presente em pa\u00edses como Argentina, Paraguai, Bol\u00edvia e Col\u00f4mbia. A regi\u00e3o abriga ecossistemas de grande import\u00e2ncia global, como a Floresta Amaz\u00f4nica, o Cerrado, o Chaco e a Mata Atl\u00e2ntica, todos amea\u00e7ados por atividades econ\u00f4micas baseadas na convers\u00e3o de florestas em \u00e1reas agr\u00edcolas e pecu\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso brasileiro, foco principal do artigo analisado, ilustra bem essa realidade. A partir da d\u00e9cada de 1970, houve um forte incentivo \u00e0 expans\u00e3o agr\u00edcola, principalmente com o avan\u00e7o da fronteira agr\u00edcola sobre o Cerrado e a Amaz\u00f4nia. Culturas como soja, milho e cana-de-a\u00e7\u00facar, e a cria\u00e7\u00e3o extensiva de gado, transformaram o Brasil em l\u00edder global na produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de commodities \u00e0s custas de extensivas \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa din\u00e2mica se repete em outros pa\u00edses sul-americanos: Na Bol\u00edvia e no Paraguai, a expans\u00e3o da soja tem causado forte press\u00e3o sobre o Gran Chaco; Na Argentina, o desmatamento se concentra principalmente na regi\u00e3o norte, tamb\u00e9m vinculado a soja e a pecu\u00e1ria; Na Col\u00f4mbia,o crescimento da agricultura e a minera\u00e7\u00e3o t\u00eam contribu\u00eddo para a degrada\u00e7\u00e3o de florestas tropicais andinas e amaz\u00f4nicas. Os impactos ambientais comuns em toda a Am\u00e9rica do Sul incluem: Perda da biodiversidade e fragmenta\u00e7\u00e3o dos habitats; Contamina\u00e7\u00e3o do solo e da \u00e1gua por agrot\u00f3xicos e fertilizantes; Altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas locais e globais, j\u00e1 que as florestas funcionam como reguladoras do clima e estoques de carbono; Conflitos sociais com comunidades ind\u00edgenas e tradicionais, que dependem diretamente dos recursos naturais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O modelo de desenvolvimento predominante nos pa\u00edses sul-americanos prioriza o crescimento econ\u00f4mico baseado na exporta\u00e7\u00e3o de produtos agr\u00edcolas, sem considerar adequadamente os custos ambientais e sociais. A falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o, pol\u00edticas ambientais fr\u00e1geis e interesses econ\u00f3micos internacionais refor\u00e7am essa trajet\u00f3ria de desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"4\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>MINERA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A minera\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 uma velha conhecida. Uma for\u00e7a que, desde o s\u00e9culo XVII, cava fundo n\u00e3o s\u00f3 o solo, mas tamb\u00e9m a hist\u00f3ria e a economia do pa\u00eds. Com seus olhos voltados para as entranhas da terra, esse setor tem mantido um papel de peso na balan\u00e7a comercial e na gera\u00e7\u00e3o de empregos, representando, por exemplo, cerca de 4% do Produto Interno Bruto em 2019. Mas, se por um lado o brilho dos metais reluz no PIB, por outro, o rastro que essa atividade deixa \u00e9 sombrio e profundo. Entre promessas de progresso e realidade nua e crua, a minera\u00e7\u00e3o escancara as feridas abertas no meio ambiente e nos modos de vida que se veem soterrados por escavadeiras e discursos de desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A terra, exausta e violentada, responde com veem\u00eancia. Os impactos ambientais s\u00e3o muitos e variados, e n\u00e3o raro ganham contornos tr\u00e1gicos. Da contamina\u00e7\u00e3o persistente de solos e \u00e1guas por metais pesados e merc\u00fario ao desmatamento voraz e \u00e0 eros\u00e3o que come pelas beiradas a estrutura dos ecossistemas, a minera\u00e7\u00e3o desfaz o equil\u00edbrio como quem puxa o fio de um tecido delicado. Os desastres de Mariana e Brumadinho n\u00e3o deixam d\u00favidas: s\u00e3o retratos de um futuro anunciado, imagens cruas de um pa\u00eds que parece aprender pouco com as cinzas do passado. A lama que desceu pelas encostas levou vidas, destruiu casas e deixou cicatrizes irrevers\u00edveis na paisagem e nas almas. Ainda hoje, minas abandonadas seguem escorrendo veneno, como se a terra chorasse, lenta e silenciosamente, pela neglig\u00eancia que a consome.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o meio ambiente que geme. As consequ\u00eancias sociais da minera\u00e7\u00e3o reverberam por campos e cidades, cortando o pa\u00eds como veias inflamadas. Os conflitos por terra e \u00e1gua se espalham feito erva daninha, afetando desde trabalhadores e moradores urbanos at\u00e9 comunidades tradicionais, como ind\u00edgenas, quilombolas, ribeirinhos e pescadores. Em 2023, os n\u00fameros saltaram aos olhos: mais de 2,8 milh\u00f5es de pessoas impactadas por algum tipo de conflito ligado \u00e0 minera\u00e7\u00e3o, num aumento gritante em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior e, c\u00e1 entre n\u00f3s, n\u00e3o parece que essa mar\u00e9 v\u00e1 baixar t\u00e3o cedo. Viol\u00eancias extremas, condi\u00e7\u00f5es degradantes de trabalho, amea\u00e7as de morte, desaparecimentos, ass\u00e9dios e at\u00e9 assassinatos escancaram a face mais cruel dessa engrenagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sa\u00fade tamb\u00e9m n\u00e3o escapa ilesa. A contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario adoece corpos, mina resist\u00eancias e fragiliza comunidades inteiras. Com a circula\u00e7\u00e3o descontrolada de garimpeiros, doen\u00e7as como mal\u00e1ria e COVID-19 encontraram solo f\u00e9rtil para se espalhar, como se as epidemias fossem sombras que pairam sobre os territ\u00f3rios ind\u00edgenas, j\u00e1 t\u00e3o feridos por outras tantas aus\u00eancias. Nessas paisagens, a morte muitas vezes chega antes da assist\u00eancia, e a sobreviv\u00eancia vira um desafio di\u00e1rio, uma esp\u00e9cie de resist\u00eancia silenciosa diante do abandono institucional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E quando a terra cede, como aconteceu em Macei\u00f3 com o afundamento do solo causado pela extra\u00e7\u00e3o de sal-gema, o que desaba n\u00e3o s\u00e3o apenas casas ou pr\u00e9dios, desmoronam vidas, mem\u00f3rias, economias locais inteiras. O com\u00e9rcio foge, os moradores partem, e o que resta \u00e9 um vazio urbano dif\u00edcil de preencher. A minera\u00e7\u00e3o ilegal, por sua vez, se alastra feito fogo em palha seca. Representando quase um quinto dos conflitos miner\u00e1rios em 2023, ela se alastra principalmente pelas terras ind\u00edgenas, como as dos povos Yanomami, Munduruku e Sarar\u00e9. A cada nova invas\u00e3o, o merc\u00fario corre pelos rios, os peixes morrem, as crian\u00e7as adoecem, e o medo vira morador fixo. Os Yanomami, em especial, vivem hoje uma tempestade que mistura escassez, viol\u00eancia e abandono, um retrato amargo do Brasil profundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista das leis, h\u00e1 uma tentativa de p\u00f4r ordem nessa casa, ainda que nem sempre com sucesso. A Lei n\u00ba 9.985\/2000, que cria o Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (o famoso SNUC), busca estabelecer limites e proteger os peda\u00e7os de natureza que ainda resistem. Ela divide essas \u00e1reas em dois grandes grupos: as de Prote\u00e7\u00e3o Integral, que praticamente blindam o territ\u00f3rio contra qualquer atividade econ\u00f4mica, e as de Uso Sustent\u00e1vel, onde a minera\u00e7\u00e3o pode at\u00e9 ter vez, mas s\u00f3 se passar por um crivo t\u00e9cnico bastante exigente. Em algumas dessas \u00e1reas, como as APAs, ARIEs e Reservas de Fauna, a explora\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, sim, mas com muitas v\u00edrgulas, notas de rodap\u00e9 e planos de manejo no meio do caminho. J\u00e1 nas Reservas Extrativistas e RPPNs, a coisa muda de figura: ali, o \u201cn\u00e3o\u201d \u00e0 minera\u00e7\u00e3o \u00e9 claro, direto, quase uma cl\u00e1usula p\u00e9trea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E quanto \u00e0s Florestas Nacionais? Ah, essas vivem num vaiv\u00e9m jur\u00eddico que mais confunde do que esclarece. Enquanto alguns interpretam que, por n\u00e3o haver proibi\u00e7\u00e3o expressa, a minera\u00e7\u00e3o estaria autorizada (a contrario sensu), outros (e a\u00ed entram o ICMBio, a AGU e boa parte da doutrina) batem o p\u00e9: a aus\u00eancia de proibi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de permiss\u00e3o. Na d\u00favida, melhor fechar a porteira do que chorar o leite derramado. O entendimento predominante hoje \u00e9 de que, ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da Lei do SNUC, n\u00e3o se admite mais minera\u00e7\u00e3o nessas \u00e1reas. Por\u00e9m, como o tempo tamb\u00e9m tem seu peso, as atividades iniciadas antes da nova lei ainda podem ter continuidade, respeitando o velho princ\u00edpio do tempus regit actum, o tempo rege o ato, como quem diz que o passado n\u00e3o se desfaz por decreto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de todo esse emaranhado de normas e diretrizes, o fato \u00e9 que as mineradoras continuam pisando em ovos quando o assunto \u00e9 responsabilidade ambiental. As a\u00e7\u00f5es preventivas s\u00e3o, no mais das vezes, t\u00edmidas, quase t\u00edmidas demais, como se cada passo dado fosse s\u00f3 para ingl\u00eas ver. Os programas socioambientais soam protocolares, e o licenciamento ambiental muitas vezes vira uma etapa burocr\u00e1tica que pouco dialoga com a complexidade dos danos reais. Em 2023, figuraram entre as principais violadoras empresas como a Vale S.A. (e sua antiga parceria com a Samarco e a BHP), Braskem, CSN e Tombador Iron Minera\u00e7\u00e3o. Entre as estrangeiras, destaque, nada honroso, para as companhias australianas e canadenses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Felizmente, a sociedade civil tem se mostrado cada vez mais atenta e combativa. Organiza\u00e7\u00f5es como o Comit\u00ea Nacional em Defesa dos Territ\u00f3rios Frente \u00e0 Minera\u00e7\u00e3o t\u00eam feito barulho, lan\u00e7ado luz sobre conflitos invisibilizados e exigido respeito aos direitos humanos e \u00e0 integridade dos territ\u00f3rios. No entanto, entre relat\u00f3rios e promessas, entre planos de mitiga\u00e7\u00e3o e ret\u00f3rica empresarial, a pergunta que paira no ar continua sendo: quem paga a conta? Porque, ao fim e ao cabo, os territ\u00f3rios continuam sendo devorados pouco a pouco, e os povos, deixados \u00e0 margem de um modelo que insiste em cavar fundo, \u00e0s vezes fundo demais,sem saber como (ou se) vai voltar \u00e0 superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"5\" class=\"wp-block-list\">\n<li>Refer\u00eancias<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ARA\u00daJO, E. R.; FERNANDES, F. R. C. Minera\u00e7\u00e3o no Brasil: crescimento econ\u00f4mico e<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">conflitos ambientais. In: VIEIRA, F.; FERNANDES, F. R. C.; LIMA, M. H. M. R. (Org.).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conflitos ambientais no Brasil: mapeamento de alguns casos relevantes<\/strong>. Rio de Janeiro:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CETEM\/MCTI, 2015. p. 65-88.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL.&nbsp;<strong>Decreto n\u00ba 11.405, de 30 de janeiro de 2023<\/strong>. Disp\u00f5e sobre medidas para<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">enfrentamento da Emerg\u00eancia em Sa\u00fade P\u00fablica de Import\u00e2ncia Nacional e de combate<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ao garimpo ilegal no territ\u00f3rio Yanomami a serem adotadas por \u00f3rg\u00e3os da<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">administra\u00e7\u00e3o federal. Bras\u00edlia, DF: Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Casa Civil, Secretaria<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Especial para Assuntos Jur\u00eddicos, 2023. Dispon\u00edvel em:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2023-2026\/2023\/decreto\/D11405.htm. Acesso em:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">23 jun. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRITO, F. P. M. Minera\u00e7\u00e3o em unidades de conserva\u00e7\u00e3o no Brasil: entre discuss\u00f5es e<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">possibilidades.&nbsp;<strong>Dom Helder Revista de Direito<\/strong>, [S. l.], v. 4, n. 8, p. 39-57, jan.\/jun. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GOMES, C. S. Impactos da expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio brasileiro na conserva\u00e7\u00e3o dos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">recursos naturais.&nbsp;<strong>Cadernos do Leste<\/strong>, Belo Horizonte, v. 19, n. 19, jan.\/dez. 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IBGE.&nbsp;<strong>Pesquisa da Pecu\u00e1ria Municipal (PPM)<\/strong>. 2023d. Dispon\u00edvel em:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">https:\/\/sidra.ibge.gov.br\/pesquisa\/ppm\/quadros\/brasil\/2023. Acesso em: 23 jun. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">INPE.&nbsp;<strong>Banco de Dados de Queimadas &#8211; Inpe Programa Queimadas<\/strong>. 2023. Dispon\u00edvel em:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">https:\/\/terrabrasilis.dpi.inpe.br\/queimadas\/portal\/. Acesso em: 23 jun. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">INPE.&nbsp;<strong>Monitoramento da Floresta Amaz\u00f4nica Brasileira por Sat\u00e9lite &#8211; Projeto Prodes<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/terrabrasilis.dpi.inpe.br\/. Acesso em: 23 jun. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LIMA, M. et al.&nbsp;<strong>Fatos da Amaz\u00f4nia 2025<\/strong>. 2025. Dispon\u00edvel em:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">https:\/\/imazon.org.br\/publicacoes\/fatos-da-amazonia2025\/. Acesso em: 23 jun. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LIRA, S. R. B. de; SILVA, M. L. M. da; PINTO, R. S. Desigualdade e heterogeneidade no<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">desenvolvimento da Amaz\u00f4nia no s\u00e9culo XXI.&nbsp;<strong>Nova Economia<\/strong>, Belo Horizonte, v. 19, n. 1,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">p. 153-184, jan.\/abr. 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MAPBIOMAS.<strong>&nbsp;Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo do Brasil &#8211;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cobertura da Minera\u00e7\u00e3o<\/strong>, 2000-2022. 2023. Dispon\u00edvel em:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">https:\/\/plataforma.brasil.mapbiomas.org\/mineracao. Acesso em: 23 jun. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MIRANDA, A. L. A. et al. Impactos da minera\u00e7\u00e3o sobre os povos origin\u00e1rios Yanomamis<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">da Amaz\u00f4nia: uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica.&nbsp;<strong>Revista Foco<\/strong>, Curitiba (PR), v. 17, n. 4, e4922, p.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1-11, 2024. DOI: 10.54751\/revistafoco.v17n4-107.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOREIRA, H. M.; GIOMETTI, A. B. R. O Protocolo de Quioto e as possibilidades de<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">inser\u00e7\u00e3o do Brasil no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo por meio de projetos em<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">energia limpa.&nbsp;<strong>Contexto Internacional<\/strong>, Rio de Janeiro, v. 30, n. 1, p. 9-47, jan.\/abr. 2008.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PEREIRA, R. C.; MACHADO, P. B.; ANGELIS-PEREIRA, M. C. de. Contrapontos e<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">inconsist\u00eancias do discurso da produtividade do agroneg\u00f3cio e suas externalidades sob a<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00f3tica do biopoder.&nbsp;<strong>Sa\u00fade em Debate<\/strong>, Rio de Janeiro, v. 46, n. esp. 2, p. 391-406, jun. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DOI: https:\/\/doi.org\/10.1590\/0103-11042022E226.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">P\u00c9REZ, M.; SCHLESINGER, S.; WISE, T. A.&nbsp;<strong>Promessas e perigos da liberaliza\u00e7\u00e3o do<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>com\u00e9rcio agr\u00edcola: as li\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina<\/strong>. Vers\u00e3o em portugu\u00eas de Sergio<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Schlesinger. Bras\u00edlia: ActionAid Brasil; Instituto para o Desenvolvimento Global e Meio<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ambiente (GDAE), Universidade de Tufts, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SANT\u2019ANA, A. P. de; RIBEIRO, L. M.&nbsp;<strong>Expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio e os impactos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>socioambientais na regi\u00e3o de cerrados do Centro-Norte do Brasil (MATOPIBA)<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Confins, n. 45, 2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/journals.openedition.org\/confins\/28049. Acesso<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">em: 23 jun. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SEEG.&nbsp;<strong>Sistema de Estimativas de Emiss\u00f5es e Remo\u00e7\u00f5es de Gases de Efeito Estufa<\/strong>. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dispon\u00edvel em: https:\/\/seeg.eco.br\/. Acesso em: 23 jun. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VIANA, I. C. C. et al. Impactos ambientais ocasionados pela minera\u00e7\u00e3o no Brasil: uma<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">revis\u00e3o sobre levantamento de minas. In:&nbsp;<strong>IV Conara Congresso Araguasense de Social<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Aplicada<\/strong>, 2022, Santana do Araguaia-PA. Anais [&#8230;]. Santana do Araguaia-PA: UNIFESSPA,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2022. p. 1-10.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERL\u00c2NDIA PROJETO GLOBAL CROSSINGS COORDENA\u00c7\u00c3O: PROFA. 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