{"id":1085,"date":"2024-11-25T11:17:07","date_gmt":"2024-11-25T14:17:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.globalcrossings.com.br\/?p=1085"},"modified":"2024-11-25T11:17:07","modified_gmt":"2024-11-25T14:17:07","slug":"avancos-do-novo-pacto-de-migracao-e-asilo-em-comparacao-ao-antigo-regulamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.globalcrossings.com.br\/en\/2024\/11\/25\/avancos-do-novo-pacto-de-migracao-e-asilo-em-comparacao-ao-antigo-regulamento\/","title":{"rendered":"AVAN\u00c7OS DO NOVO PACTO DE MIGRA\u00c7\u00c3O E ASILO EM COMPARA\u00c7\u00c3O AO ANTIGO REGULAMENTO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Andreza Borsatto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisadora da C\u00e1tedra Jean Monnet<\/p>\n\n\n\n<p>Bolsista de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se fala em migra\u00e7\u00f5es, muitos n\u00e3o entendem a dimens\u00e3o dessa tem\u00e1tica. H\u00e1 ind\u00edcios e registros de deslocamentos de indiv\u00edduos e popula\u00e7\u00f5es desde os prim\u00f3rdios da humanidade. Mas foi no contexto da globaliza\u00e7\u00e3o e intensifica\u00e7\u00e3o da interconex\u00e3o entre os diferentes lugares do mundo, que os deslocamentos tomaram novas propor\u00e7\u00f5es. Diante dos desafios que permeiam o cen\u00e1rio contempor\u00e2neo global, como os conflitos entre pa\u00edses, as dificuldades no enfrentamento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, pobreza, desemprego, fome, as migra\u00e7\u00f5es internacionais se intensificaram e exigem medidas e pol\u00edticas adequadas para lidar com essa demanda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto da Uni\u00e3o Europeia \u2013 conjunto de pa\u00edses que recebem grande n\u00famero de migrantes, principalmente refugiados \u2013 at\u00e9 meados de 1990, a quest\u00e3o era tratada no \u00e2mbito interno de cada Estado membro. Contudo, no final do s\u00e9culo XX, as quest\u00f5es relacionadas com a imigra\u00e7\u00e3o e o asilo, no sentido de esfor\u00e7os para a coopera\u00e7\u00e3o entre os Estados membros, se tornaram uma prioridade para as autoridades europeias, as quais almejavam harmonizar e a padronizar as normas e os procedimentos para a solicita\u00e7\u00e3o de ref\u00fagio. Nessa conjuntura, foi adotado, em 1999, o Sistema Europeu Comum de Asilo (SECA) como parte constituinte do objetivo da Uni\u00e3o Europeia de progressivamente estabelecer uma \u00e1rea de liberdade, seguran\u00e7a e justi\u00e7a, aberta \u00e0queles que, for\u00e7ados pelas circunst\u00e2ncias, buscam legitimamente prote\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o (UNI\u00c3O EUROPEIA, 2013, p. 1).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse sistema era composto por v\u00e1rias diretrizes e regulamenta\u00e7\u00f5es que visavam controlar o fluxo migrat\u00f3rio e definir responsabilidades entre os Estados-membros. O Regulamento de Dublin, por exemplo, determinava que a responsabilidade pela an\u00e1lise do pedido de ref\u00fagio deve pertencer, primeiramente, ao Estado membro que teve a principal responsabilidade na entrada do requerente na UE. Essa diretriz, apesar de ser a mais conhecida, era apenas uma parte do sistema regulat\u00f3rio, que tamb\u00e9m inclu\u00eda outras medidas de apoio, como a Diretriz de Condi\u00e7\u00f5es de Acolhimento, Diretriz de Procedimentos de Asilo e a Diretriz de Estatuto do Refugiado, que definiam os direitos b\u00e1sicos dos solicitantes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o regulamento come\u00e7ou a enfrentar diversas limita\u00e7\u00f5es com o aumento das ondas migrat\u00f3rias com destino a UE no ano de 2015. A aplica\u00e7\u00e3o do Regulamento de Dublin sobrecarregou os pa\u00edses de entrada, e a falta de um mecanismo de redistribui\u00e7\u00e3o eficaz gerou desigualdades entre os Estados-membros. Al\u00e9m disso, o processo de an\u00e1lise de pedidos de asilo era lento e frequentemente deixava os migrantes em situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade prolongada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da insatisfa\u00e7\u00e3o e da inefici\u00eancia que o regulamento demonstrou, no ano de 2020, foi proposto pela Comiss\u00e3o Europeia o novo pacto europeu em mat\u00e9ria de migra\u00e7\u00e3o e asilo, que foi aprovado em 2024. Esse novo pacto altera o sistema regulat\u00f3rio, visando facilitar uma abordagem mais equitativa e flex\u00edvel. Entre suas inova\u00e7\u00f5es, o pacto traz um mecanismo de &#8220;solidariedade flex\u00edvel&#8221;, que permite que os Estados-membros escolham entre acolher migrantes ou auxiliar financeiramente os pa\u00edses que est\u00e3o sob maior press\u00e3o migrat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo pacto tamb\u00e9m conta com procedimentos de triagem nas fronteiras, que ser\u00e3o implementados para melhor identifica\u00e7\u00e3o dos solicitantes de asilo e das pessoas que n\u00e3o t\u00eam direito a permanecer na UE. Essa ideia visa acelerar o processo, diminuindo o tempo de espera dos migrantes e tornando mais eficaz o funcionamento do sistema.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A altera\u00e7\u00e3o mais relevante entre o antigo regulamento e o novo pacto \u00e9 a redistribui\u00e7\u00e3o das responsabilidades. O sistema anterior, principalmente a Diretriz do Regulamento de Dublin, impunha o peso da responsabilidade aos pa\u00edses de entrada, exigindo que esses pa\u00edses efetivassem todos os pedidos de asilo. No novo pacto, tenta-se redistribuir essa responsabilidade entre todos os estados membros, oferecendo op\u00e7\u00f5es para aqueles que n\u00e3o acolhem migrantes, mas podem contribuir monetariamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o novo pacto espera acelerar o processamento dos pedidos de asilo, uma car\u00eancia do sistema antigo. Os novos processos de triagem e os centros de recep\u00e7\u00e3o nas fronteiras pretendem proporcionar uma an\u00e1lise mais r\u00e1pida e eficaz, reduzindo os \u00edndices de espera e evitando a congest\u00e3o dos migrantes em campos sobrecarregados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma outra dimens\u00e3o de compara\u00e7\u00e3o s\u00e3o as medidas de coopera\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses externos. Embora o regulamento anterior contenha cl\u00e1usulas para o testemunho de colabora\u00e7\u00e3o internacional, ele n\u00e3o foi buscado pelo novo pacto, o qual, no entanto, visa a inclus\u00e3o de parcerias com pa\u00edses de origem e pa\u00edses de tr\u00e2nsito e um sistema de retorno mais conveniente para aqueles que n\u00e3o t\u00eam o direito \u00e0 asilo.<\/p>\n\n\n\n<p>Conclui-se, portanto, que o pacto de migra\u00e7\u00e3o e asilo adotado em 2024 apresentou avan\u00e7os e mudan\u00e7as significativas em rela\u00e7\u00e3o ao antigo regulamento, embora existam desafios para sua implementa\u00e7\u00e3o efetiva e muitas cr\u00edticas. O pacto ainda \u00e9 recente para inferir sobre seu sucesso, e requer, n\u00e3o s\u00f3 reformas estruturais e legislativas, mas um comprometimento pol\u00edtico verdadeiramente colaborativo entre os Estado-membros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conselho e Parlamento Europeu realizam avan\u00e7o decisivo na reforma do sistema de asilo e migra\u00e7\u00e3o da EU.&nbsp;<\/strong>European Comission, 20 dez. 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.consilium.europa.eu\/pt\/press\/press-releases\/2023\/12\/20\/the-council-and-the-european-parliament-reach-breakthrough-in-reform-of-eu-asylum-and-migration-system\/. Acesso em: 7 nov. 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gerir a migra\u00e7\u00e3o de forma respons\u00e1vel.&nbsp;<\/strong>European Comission, 21 jul. 2024. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/commission.europa.eu\/strategy-and-policy\/priorities-2019-2024\/story-von-der-leyen-commission\/managing-migration-responsibly_en&gt;. Acesso em: 21 out. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>HENRIQUES, Anna Beatriz Leite. A (IN) EFETIVIDADE DO SISTEMA EUROPEU COMUM DE REF\u00daGIO NA PROTE\u00c7\u00c3O DOS REFUGIADOS NA UNI\u00c3O EUROPEIA THE (IN) EFFECTIVENESS OF THE COMMON EUROPEAN ASYLUM SYSTEM IN REFUGEE PROTECTION IN THE EUROPEAN UNION.&nbsp;<strong>Revista de Estudos Internacionais (REI)<\/strong>, v. 5, n. 1, p. 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>MART\u00cdN, Rafael Pel\u00e1ez; PIMENTEL, Dulce; MEDEIROS, Carlos Alberto. O sistema europeu comum de asilo: Implementa\u00e7\u00e3o e resultados. Uma an\u00e1lise comparativa da situa\u00e7\u00e3o em Portugal e Espanha. In:&nbsp;<strong>Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica no Mundo: problemas e desafios para uma interven\u00e7\u00e3o ativa da Geografia: Livro de Atas. XVI Col\u00f3quio Ib\u00e9rico de Geografia<\/strong>. Centro de Estudos Geogr\u00e1ficos, 2018. p. 476-485.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um novo Regulamento Gest\u00e3o do Asilo e da Migra\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/strong>European Comission, 8 out. 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.consilium.europa.eu\/pt\/policies\/eu-migration-policy\/eu-migration-asylum-reform-pact\/asylum-migration-management\/. Acesso em: 7 nov. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andreza Borsatto Pesquisadora da C\u00e1tedra Jean Monnet Bolsista de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica Quando se fala em migra\u00e7\u00f5es, muitos n\u00e3o entendem a dimens\u00e3o dessa tem\u00e1tica. H\u00e1 ind\u00edcios e registros de deslocamentos de indiv\u00edduos e popula\u00e7\u00f5es desde os prim\u00f3rdios da humanidade. 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